CORREIO no mundo

Houthis tomam porto, ampliam a guerra, e fazem petróleo disparar

Houthis tomam porto, ampliam a guerra, e fazem petróleo disparar
Rebeldes pró-Irã do Iêmen escalam guerra civil que estava congelada Crédito: Reprodução

Os rebeldes pró-Irã houthis tomaram nesta quinta-feira (10) o porto de Mokha do controle do governo do Iêmen, com o qual travam uma guerra civil desde 2014. Em retaliação, sofreram ataques aéreos da Arábia Saudita na província de Taiz, onde fica Mokha. Riad apoia o governo iemenita no conflito, que estava congelado desde 2022. Com isso, a guerra civil se amplia no país árabe, com reflexo direto no preço do petróleo, que voltou a disparar. Isso ocorre porque Mocha é uma cidade estratégica para ampliar o controle do tráfego marítimo no estreito de Bab el-Mandeb, um pouco mais ao sul do porto.

Desde julho, quando retomaram as hostilidades mais abertas na região, os houthis têm tentado aplicar um embargo ao porto saudita de Yanbu, no mar Vermelho.


Porto era alternativa ao Estreito de Hormuz

Porto era alternativa ao Estreito de Hormuz
Donald Trump prometeu que a guerra terminaria em novembro Crédito: Molly Riley/The White House

Ele vinha sendo utilizado para escoar até 70% da produção de petróleo de Riad, segundo maior produtor da commodity no mundo, devido à obstrução da via pelo estreito de Hormuz, foco do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Com a ameaça, o preço do barril referencial de contratos futuros Brent subiu mais de 4%, ultrapassando os US$ 105. É péssima notícia para Donald Trump, que prometera na véspera ver o conflito no Oriente Médio encerrado logo após as eleições parlamentares de novembro.

Houthis seguem agenda separada do Irã

O problema para o americano preocupado com o impacto da inflação de combustíveis sobre o ânimo do eleitorado já hostil à guerra é que, mesmo que chegue a uma improvável acomodação com os iranianos, os houthis seguem agenda própria. Apoiados pelo Irã, eles expulsaram o governo de Sanaa em 2014 e lutaram uma encarniçada guerra civil contra os rivais, que têm a Arábia Saudita como aliada. Em julho, as forças governamentais com apoio de Riad passaram a bloquear o espaço aéreo da capital sob controle rebelde, rompendo trégua informal vigente desde 2022.

Recado direcionado para os aliados chineses

Os houthis voltaram a atacar os sauditas e decretaram o bloqueio naval, que não foi tão eficiente quanto a disrupção provocada pelo Irã em Hormuz. O comando houthi disse que não irá ameaçar navios que não estejam indo ou voltando de portos sauditas no mar Vermelho. É um recado para os chineses, aliados do Irã, cujo tráfego de exportações rumo à Europa passa pela região.

Por Igor Gielow (Folhapress)

Elon Musk não gostou

Elon Musk ameaçou ir para a Justiça contra "Musk", documentário dirigido por Alex Gibney. Em carta enviada aos responsáveis pelo filme, o advogado do bilionário, Alex Spiro, afirma que a produção apresenta informações falsas e difamatórias sobre o empresário, especialmente a respeito de sua atuação na eleição presidencial americana de 2024.

Festival de Veneza

O filme de quase quatro horas causou alvoroço na estreia, nesta terça-feira, no Festival de Veneza, onde recebeu uma ovação de pé de cinco minutos. A data de chegada nos cinemas dos EUA está prevista para 16 de outubro. A principal objeção envolve o depoimento de Ashley St. Clair, ex-companheira de Musk e mãe de um de seus filhos.

Satélites Starlink

Ela conta que, antes da eleição, o empresário teria falado em desencadear uma "anomalia na Matrix" e enviado uma mensagem dizendo ter "dez mil lasers no espaço". Questionada, ela especula que a frase poderia ser uma referência à rede Starlink. Spiro sustenta que a montagem insinua que Musk teria empregado a Starlink para favorecer a eleição de Donald Trump.

Campanha difamatória

O advogado afirma que a rede não estava ligada à contabilização dos votos e lembra que autoridades eleitorais, especialistas em segurança digital e agências de checagem já haviam rejeitado teorias sobre uma suposta manipulação eleitoral por meio da empresa. Segundo a defesa de Musk, uma obra pode ser difamatória mesmo sem formular uma acusação direta.

Ameaça de processo

Spiro acusa Gibney de ter iniciado o projeto com uma conclusão predeterminada e afirma que a equipe do documentário teria recusado ofertas de diálogo e esclarecimento. A carta determina que os envolvidos preservem imagens, entrevistas, pesquisas, registros de checagem e comunicações com as fontes, indicando a preparação para um possível processo.

Distribuidoras

O aviso foi feito não só a Gibney e à produtora Jigsaw, mas também às empresas envolvidas na distribuição e divulgação do longa, como HBO, Bleecker Street e Universal. A produtora defendeu o filme como uma investigação factual sobre uma figura pública poderosa e afirmou que esse tipo de debate é protegido pela Primeira Emenda da Constituição americana.