Internacional

Doação de órgão no Adão Pereira Nunes viabiliza transplante histórico no Rio

Primeiro transplante isolado de intestino do Estado teve influência do Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes

Doação de órgão no Adão Pereira Nunes viabiliza transplante histórico no Rio
Captação realizada no Adão Pereira Nunes envolve equipes especializadas e marca avanço histórico para os transplantes Crédito: PMDC

Uma doação de órgãos de uma criança, realizada no último sábado (6), no Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN), em Duque de Caxias, possibilitou um feito inédito para a medicina do Rio de Janeiro: a realização do primeiro transplante isolado de intestino do Estado.

O órgão foi captado de um doador pediátrico diagnosticado com morte encefálica, após a autorização dos pais. A captação do intestino foi conduzida pelo Dr. Eduardo Fernandes, chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital Adventista Silvestre, em uma operação de alta complexidade que envolveu profissionais de diferentes áreas.

O procedimento de transplante foi realizado na mesma data, em unidade hospitalar especializada, com o órgão em pleno funcionamento, representando um importante avanço para pacientes com falência intestinal, condição em que o organismo perde a capacidade de absorver adequadamente nutrientes e pode depender de nutrição parenteral por períodos prolongados.

"O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes alcançou, entre janeiro de 2022 e agosto de 2026, a marca de 705 órgãos e tecidos captados para transplantes, consolidando-se como uma importante unidade do sistema de transplantes do Estado do Rio de Janeiro. Um resultado que representa quase cinco anos de trabalho desde a municipalização e, acima de tudo, vidas transformadas por meio da doação e do transplante de órgãos", Dr Thiago Resende, diretor geral do HMAPN.

Trabalho integrado
foi fundamental

Para que a doação fosse concretizada, foi fundamental a atuação integrada das equipes do Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes. A e-DOT (Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes) da unidade participou da abordagem e do acolhimento dos familiares, conduzindo um dos momentos mais delicados de todo o processo de doação de órgãos. A equipe multidisciplinar do CTI Pediátrico também teve participação essencial na assistência à criança e na manutenção das condições necessárias para a efetivação da doação. A articulação entre as equipes assistenciais, profissionais responsáveis pela doação, cirurgia e demais setores envolvidos permitiu que todas as etapas fossem conduzidas de forma coordenada e segura.

Decisão da família transforma luto em esperança

A autorização dos pais para a doação dos órgãos ocorreu em um momento de profunda dor. O gesto de solidariedade da família permitiu que órgãos pudessem ser destinados a pacientes que aguardam por um transplante. A doação de órgãos depende da autorização familiar e representa uma das etapas mais importantes do processo de transplantes no Brasil. Neste caso, a decisão da família teve um significado ainda maior ao possibilitar um procedimento pioneiro no Estado do Rio de Janeiro.

Transplante intestinal chega a um novo momento no Brasil

O transplante de intestino é considerado um procedimento de elevada complexidade e é indicado principalmente para pacientes com falência intestinal crônica que apresentam complicações graves relacionadas à nutrição parenteral. A incorporação do transplante de intestino e do transplante multivisceral ao Sistema Nacional de Transplantes ampliou as possibilidades de tratamento para pacientes que necessitam dessa modalidade terapêutica. A realização de um transplante isolado de intestino no Rio de Janeiro representa, portanto, um passo importante na expansão desse atendimento especializado.

"O episódio reforça a atuação do Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes no cenário da captação de órgãos. É um processo que envolve uma cadeia de profissionais e etapas, que inclui a identificação do potencial doador, diagnóstico de morte encefálica, cuidados intensivos, abordagem familiar, autorização para a doação, comunicação com as estruturas responsáveis pelo transplante e organização da captação. A atuação da nossa e-DOT e do CTI Pediátrico demonstram a importância do trabalho multidisciplinar para transformar uma situação de perda em uma possibilidade concreta de vida para outras pessoas", Gilberto Malvar, coordenador de enfermagem da e-DOT na unidade.

Marco para a saúde do
Rio de Janeiro

O primeiro transplante isolado de intestino realizado a partir de uma doação captada no Estado representa um marco para o sistema de transplantes fluminense. O resultado reúne alta complexidade médica, organização do processo de doação, integração entre instituições e, principalmente, a decisão de uma família de autorizar a doação dos órgãos de seu filho. A história deixa também uma mensagem sobre a importância da doação de órgãos: em meio à dor da perda, o gesto de uma família pode oferecer esperança e novas possibilidades de vida a pacientes que aguardam por um transplante.