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Reino Unido promete ajudar Ucrânia a fazer mísseis

Rússia responde com tom de ameaça

Reino Unido promete ajudar Ucrânia a fazer mísseis
Dmitri Peskov sugeriu que isso significaria participação de Londres na guerra Crédito: Reuters/Folhapress

O Reino Unido prometeu na segunda (24) auxiliar a Ucrânia a fabricar mísseis de cruzeiro avançados, sendo acusado pela Rússia de "jogar óleo na fogueira" do conflito iniciado por Vladimir Putin em 2022. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que visitou Kiev pela primeira vez desde que assumiu o cargo, há quase um mês. Ele participou da comemoração dos 35 anos de independência da Ucrânia, uma ex-república soviética.

Segundo ele, o governo britânico irá remover as travas para transferência tecnológica que permitam a fabricação de modelos Storm Shadow, operados desde 2003 com seu irmão gêmeo francês, o Scalp-EG.

Os mísseis já foram doados aos ucranianos no conflito, com efeito devastador, mas simplesmente não há estoque suficiente deles. A promessa de Burnham, contudo, não atende ao principal problema dos ucranianos, a falta de munição para suas baterias antiaéreas americanas Patriot.

Isso tem levado a uma taxa de eficácia grande dos ataques com mísseis balísticos russos, o que ajudou a aumentar a mortalidade de civis no conflito para seu maior nível desde o primeiro mês da invasão.

Além disso, é uma promessa de longo prazo. Mesmo que os entraves burocráticos sejam levantados, demoraria alguns anos para uma linha estar pronta e operando. Enquanto isso, o governo de Volodimir Zelenski conta com doações e com a aceleração de seus modelos domésticos.

Um deles é o Flamingo, um míssil de cruzeiro muito mais rudimentar em comparação com o Storm Shadow/Scalp-EG. Ele começou a ser empregado com sucesso contra alvos na Rússia, mas relatos indicam que agora Moscou já consegue abatê-lo facilmente, empregando vigilância com aviões-radar.

O anúncio gerou a esperada reação do Kremlin. O porta-voz Dmitri Peskov afirmou que a Rússia irá destruir qualquer fábrica de mísseis que seja instalada na Ucrânia e que Londres não quer progresso nas negociações de paz, de resto quase inexistentes hoje.

Na semana passada, Burnham havia dito que manteria o apoio militar a Kiev após Moscou afirmar que o fornecimento de drones lançados contra cidades russas significava a participação direta de Londres no conflito. A declaração sugeria uma retaliação que até aqui não veio.

"Apesar das ameaças ultrajantes da Rússia a meu país, nós vamos continuar nosso apoio à Ucrânia", afirmou nesta segunda junto de Zelenski. O britânico comparou a resistência local à de seu país contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

"Minha nação manteve a chama da liberdade europeia viva no século 20, e vocês carregam essa chama no [século] 21", afirmou o premiê.