Com El Niño, dia mais quente da história em oceanos é registrado
25 de agosto de 202600:01Redação
ONU alertou para início de versão 'poderosa' do El Niño em 2026Crédito: Reprodução
O dia mais quente da história nos oceanos foi registrado no sábado (22), superando o recorde anterior, estabelecido em março de 2024. Segundo o serviço Copernicus, da União Europeia, que monitora a mudança climática no planeta, a temperatura da superfície dos oceanos (SST, na sigla em inglês), alcançou 21,1°C, acima dos 21,09°C de há dois anos.
É o maior registro desde 1979, quando o conjunto de dados do Copernicus, o ERA5, que existe desde 1940, se tornou mais confiável no âmbito da SST devido ao advento dos satélites. Segundo os técnicos da instituição, a marca ocorre em linha com o aquecimento de longo prazo dos oceanos e a emergência do El Niño, fenômeno natural cíclico que promete intensificar as anomalias climáticas neste segundo semestre e em 2027.
Consequências já são visíveis
Ano de 2026 já é recheado de eventos extremos e desastres naturaisCrédito: Roberto Zacarias/SecomGOVSC
"Os oceanos estão sob um estresse cada vez maior. O El Niño está adicionando calor ao sistema, e isso ocorre num contexto de décadas de aquecimento causado pelo homem", diz Samantha Burgess, coordenadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). "As consequências já são visíveis: o número de dias de ondas de calor marítimo em todo o mundo mais do que triplicou desde o início da década de 1990, exercendo pressão cada vez maior sobre os ecossistemas marinhos e as comunidades que dependem deles."
Temperatura influencia eventos climáticos
O aquecimento dos oceanos é também um importante vetor na ocorrência de eventos climáticos extremos. Águas mais quentes transferem calor e umidade para a atmosfera, fatores que elevam a chance, assim como a potência, de temporais. Outro efeito deletério de oceanos aquecidos é a diminuição da capacidade de absorção do dióxido de carbono. O sistema é um dos maiores sumidouros de gases de efeito estufa do planeta, absorvendo cerca de 25% das emissões provocadas pela atividade humana, sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás natural.
Momento de ocorrência chama a atenção
Em geral, recordes globais de SST são registrados de março a abril. Os meses de junho e julho já tinham sido os mais quentes já registrados nos mares em parte devido ao desenvolvimento do El Niño na porção tropical do Pacífico. As estimativas do Copernicus não são diferentes das de outras instituições, sugerindo que o fenômeno "poderá atingir níveis não vistos há várias décadas".
Por José Henrique Mariante (Folhapress)
Espriella x imigração
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, ordenou o início de operações coordenadas entre a autoridade migratória e a polícia para deportar migrantes em situação irregular no país. O líder de ultradireitista chegou ao poder em 7 de agosto com uma agenda de linha dura, que ficou em suspenso após um forte terremoto atingir o país no último dia 10.
Identificar e deter
O tremor matou mais de 300 pessoas, destruiu milhares de casas e deixou regiões inteiras em estado de emergência. Segundo um vídeo vazado de uma reunião do conselho de segurança realizada no domingo (23), em Barranquilla, no norte do país, o presidente deu a instrução de identificar e deter, em primeiro lugar, migrantes envolvidos em crimes.
Encontro em Barranquilla
"A ordem para a Migração é clara: primeiro, os que estão cometendo crimes; segundo, os que não têm a situação regularizada e que, no devido tempo, terão de ser deportados", afirmou o presidente no vídeo.
O encontro foi realizado na cidade caribenha onde estabeleceu uma sede presidencial alternativa à de Bogotá.
Venezuelanos
"Não vou aceitar imigração ilegal. Primeiro os colombianos, segundo os colombianos e terceiro os colombianos, para que isso fique claro para todo mundo", disse. A Colômbia foi, na última década, o principal destino da imigração venezuelana. O Acnur, agência da ONU para refugiados, estimou em 3 milhões o número de venezuelanos na Colômbia em 2025.
Início imediato
Tradicionalmente, a direita colombiana promoveu políticas de acolhimento para a diáspora venezuelana, com um forte discurso contra o chavismo.
"Deportados! É uma ordem presidencial que deve começar a ser cumprida já nesta semana. Não vou aceitar migrantes ilegais, venham de onde vierem", disse o presidente.
Decisão política
"É uma decisão política, e eu a assumo. É uma decisão administrativa, e eu a assumo", acrescentou. Marcada por seis décadas de conflito armado, a Colômbia não tem tradição de receber migrantes; pelo contrário, tem visto milhões de pessoas fugirem da violência e da pobreza para os Estados Unidos, a Espanha e outros países.
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