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Ataque russo mata 16 em Kiev; Zelenski pede mais ajuda

Ataque russo mata 16 em Kiev; Zelenski pede mais ajuda
Mísseis russos atingem Kiev, capital da Ucrânia, nesta quinta (20) Crédito: Serviço Presidencial de Imprens da Ucrânia

As defesas aéreas da Ucrânia voltaram a se mostrar insuficientes contra uma barragem de mísseis balísticos da Rússia nesta quinta-feira (20), quando um ataque das forças de Vladimir Putin matou ao menos 16 pessoas e deixou mais de 40 feridos em Kiev e região. "Os interceptadores para sistemas [antiaéreos americanos] Patriot ainda não foram substituídos. Infelizmente, a resposta do mundo a tais ataques não é sempre adequada", queixou-se o presidente Volodimir Zelenski no Telegram. O pedido por mais ajuda tem sido uma constante nas últimas semanas, desde que o líder fracassou em convencer Donald Trump a fornecer mais mísseis com capacidade de conter ameaças balísticas. Além da tendência do americano de favorecer Putin, os estoques de interceptadores estão baixos devido à guerra no Irã. Segundo Zelenski, cada dia sem mísseis para os Patriots "custam vidas".

 

Ucrânia não revelou número de mísseis usados

Ucrânia não revelou número de mísseis usados
Ursula von der Leyen respondeu Zelenski nas redes sociais Crédito: European Parliament, CC BY 2.0, via WC

Desta vez, a Força Aérea ucraniana não revelou quantos mísseis balísticos e hipersônicos foram empregados, apenas dizendo que dezenas deles não foram interceptadas. Contra armas menos velozes, disse ter tido uma defesa mais eficaz: derrubou 145 de 168 drones e 39 de 44 mísseis de cruzeiro. As cenas de moradores da capital procurando refúgio no metrô da cidade se repetiram, e grandes incêndios foram registrados em centros de empresas de logística, emulando a campanha de Kiev contra a gigante do varejo online russo Wildberries.

Região de Odessa também foi atingida

Houve também bombardeios contra a região de Odessa, principal porto da Ucrânia, que tem defesas aéreas menos sofisticadas do que as da capital. Ao menos dois drones empregados no ataque se extraviaram e caíram em países vizinhos, a Romênia e Moldova, sem consequências sérias. Os ucranianos também lançaram drones contra a Rússia, atingindo instalações petrolíferas em duas regiões, mas sem danos relevantes, mortes ou ferimentos relatados. A alta mortalidade de civis é uma das marcas da fase atual da guerra.

Von der Leyen responde Zelenski no X

No X, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, respondeu a Zelenski. Disse que os membros do bloco estavam trabalhando para fornecer ajuda de defesa antiaérea "como a mais urgente das prioridades". O problema é que os estoques europeus de interceptadores para o sistema Patriot estão tão críticos quanto o dos americanos.

Por Igor Gielow (Folhapress)

Incêndios florestais

Incêndios florestais na Europa estão mais intensos nesta temporada devido à mudança climática. Fala-se muito em adaptação, mas pouco em conter emissões, raiz do problema.

Se nada for feito contra o aquecimento global, a ampliação da área queimada no continente pode quase triplicar no fim deste século.

Acordo de Paris

A conclusão está em artigo publicado no jornal Global Change Biology. Em cenário de 3,6°C de temperatura global acima dos níveis pré-industriais, a área anual queimada no continente aumentaria 192%. Em cenário mais controlado, de 1,8°C de aquecimento, em linha com o Acordo de Paris, a ampliação da destruição florestal se limitaria a 39%.

Conclusão mais otimista

Em outra conclusão, mais otimista, o estudo calcula os efeitos positivos do investimento contínuo no manejo dos incêndios. No pior cenário, evoluir continuamente na prevenção do problema teria potencial para deter 72% da área queimada. Com um aquecimento dentro da meta, o trabalho de prevenção chegaria a 92%, quase neutralizando a questão.

Investimentos contínuos

"Esse é o lado bom da história: investimentos contínuos em medidas climáticas e na prevenção e combate a incêndios florestais podem ajudar até certo ponto", afirma Maik Billing, do Instituto Potsdam de Pesquisa Climática. "Porém, se não tomarmos medidas de mitigação das mudanças climáticas, teremos cada vez mais eventos extremos no futuro".

Esforço dá resultado

"Isso poderá limitar o gerenciamento de incêndios de maneira geral", diz o cientista.

Ainda assim, o estudo indica que o esforço tem dado resultado. Segundo pesquisas, o número de focos de queimadas vem diminuindo nas últimas décadas no continente. O fogo, no entanto, está ficando mais intenso e difícil de controlar.

Estudo futuro

Ainda que estime o crescimento da área queimada no continente, a análise não pode ser usada para afirmar que grandes centros urbanos europeus estão sob risco no futuro. "Isso pode ser um tema interessante para um trabalho futuro", disse o cientista à reportagem.

Por José Henrique Mariante (Folhapress)