Correio da Manhã
Internacional

EUA bombardeiam Irã após ataque que matou militares na Jordânia

Operação ordenada por Donald Trump ocorre após ataque contra base americana na Jordânia e amplia tensão no Oriente Médio

EUA bombardeiam Irã após ataque que matou militares na Jordânia
O presidente dos EUA, Donald Trump Crédito: Isac Nóbrega/PR

Os Estados Unidos realizaram novos bombardeios contra alvos no Irã neste sábado (18), em uma ofensiva ordenada pelo presidente Donald Trump após um ataque contra uma base militar americana na Jordânia que resultou na morte de dois militares dos EUA e no desaparecimento de um terceiro.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CentCom), a operação aérea teve início às 19h (horário de Brasília) e teve como objetivo reduzir a capacidade militar iraniana e responder aos ataques atribuídos à Guarda Revolucionária Islâmica.

De acordo com o comando militar americano, a ofensiva também busca enfraquecer estruturas utilizadas pelo Irã para ameaçar a navegação comercial no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

Ataques ampliam sequência de ofensivas militares

O CentCom informou que esta foi a oitava noite consecutiva de bombardeios americanos contra posições iranianas.

Entre os alvos atingidos estariam instalações militares, centros de vigilância, infraestrutura logística, depósitos subterrâneos de armamentos e estruturas ligadas às capacidades marítimas do Irã.

A mídia estatal iraniana informou que os ataques também atingiram usinas elétricas e unidades de dessalinização na província de Hormozgan, no sul do país. A agência Mehr divulgou ainda que uma ofensiva ocorreu nas proximidades da cidade de Sirik, sem registro imediato de vítimas ou danos significativos à infraestrutura local.

Já a agência oficial IRNA afirmou que uma usina de dessalinização foi destruída e outra sofreu danos na ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Hormuz. Segundo o governo iraniano, a interrupção do funcionamento dessas unidades afetou o abastecimento de água para aproximadamente 10 mil moradores.

Ataque na Jordânia motivou resposta dos EUA

Segundo o CentCom, o ataque que desencadeou a nova ofensiva ocorreu na sexta-feira (17), quando uma base americana na Jordânia foi alvo de mísseis balísticos e drones.

O comando informou que dois militares morreram durante a ação, um permanece desaparecido e outros quatro ficaram feridos. Os militares feridos foram encaminhados para hospitais jordanianos, receberam atendimento médico e já tiveram alta. Outros integrantes da força sofreram apenas ferimentos leves e retornaram às atividades.

Irã endurece discurso após fim do cessar-fogo

A escalada militar ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã após o colapso do acordo de cessar-fogo firmado entre as partes em junho.

O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, criticou duramente os Estados Unidos e afirmou que o governo iraniano não considera confiáveis os compromissos assumidos por Washington.

Em manifestação nas redes sociais, Khamenei acusou os Estados Unidos de descumprirem acordos anteriores e declarou que a assinatura de um presidente americano não possui credibilidade diante das repetidas violações, segundo a avaliação do governo iraniano.

Além das declarações, Teerã anunciou a suspensão dos compromissos assumidos no cessar-fogo firmado anteriormente, elevando ainda mais o nível de tensão na região.

Irã afirma ter atacado bases ligadas aos Estados Unidos

Em resposta às ações americanas, a Guarda Revolucionária Islâmica informou ter realizado ataques contra instalações militares utilizadas por aliados dos Estados Unidos na região do Golfo.

Segundo o governo iraniano, os alvos incluíram um centro de apoio militar americano localizado no Campo Arifjan e uma instalação de radar na Base Aérea de Ali Al Salem, ambas no Kuwait.

A troca de ataques reforça a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e aumenta a preocupação da comunidade internacional com a possibilidade de ampliação das hostilidades no Oriente Médio, especialmente em áreas estratégicas como o Estreito de Hormuz, por onde passa parte significativa do comércio global de petróleo.