Ataques a navios reacendem tensão no Estreito de Hormuz
08 de julho de 202600:03Redação
Estreito de Hormuz segue no centro da polêmicaCrédito: NASA/GSFC via Wikimedia Commons
Três navios foram atingidos no estreito de Hormuz na terça-feira (7), e o Irã afirmou que não haverá novas negociações de paz enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não interromper suas repetidas ameaças de reiniciar a guerra. As tensões ocorrem em meio às cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, morto no início do conflito no Oriente Médio. Um cortejo fúnebre em Teerã reuniu milhares de pessoas na segunda e seguiu para a cidade sagrada de Qom nesta terça. Um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL), o Al Rekayyat, do Catar, foi atingido durante a madrugada após ser alvo de um ataque, que provocou um incêndio na casa de máquinas. A embarcação emitiu sinais de socorro e pediu assistência. A tripulação foi evacuada em segurança, mas o fogo e a fumaça impediram uma avaliação imediata da extensão dos danos.
Causa do acidente não foi confirmada
Ataques aumentaram a tensão no Oriente MédioCrédito: Reuters/ Folhapress
O Qatar afirmou que o Teerã é o responsável, do ponto de vista jurídico, pelo que chamou de "ataque inaceitável" ao navio. Teerã não comentou, e uma autoridade americana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que as indicações iniciais apontam que o regime persa realizou os disparos. Um petroleiro de bandeira saudita, identificado por fontes de segurança marítima como o Wedyan, também foi atingido na costa de Omã. A causa do incidente não foi confirmada.
Ataque de drone aumenta tensão
Segundo dados de navegação, o Al Rekayyat pertence à empresa qatari Nakilat, uma das maiores operadoras de navios de GNL do mundo, e navegava com o sistema automático de identificação desligado. O Wedyan é operado pela empresa saudita Bahri. Em outro incidente, mais tarde na terça-feira, um navio-tanque foi atingido por um drone enquanto transitava pelo estreito, sofrendo danos leves, mas conseguiu seguir viagem até seu próximo porto de destino, informou a UKMTO, agência ligada à Marinha britânica.
Dilema para o setor marítimo
Os incidentes reforçam que a segurança da navegação no Golfo continua instável, apesar do acordo provisório de Washington e Teerã no mês passado. Segundo funcionários do setor marítimo, armadores enfrentam um dilema. Utilizar as águas controladas pelo Irã, consideradas seguras, significaria reconhecer o controle iraniano sobre o estreito. Por outro lado, navegar pelo canal patrulhado por EUA e Omã ainda apresenta risco de ataques.
Cúpula da Otan
Na segunda reunião de cúpula da Otan desde a volta de Donald Trump ao poder, no ano passado, a aliança militar ocidental reforçou a guinada de rearmamento de seus membros europeus com o distanciamento do presidente americano do clube fundado por seu país em 1949. A abertura da cúpula aconteceu na terça (7) na capital turca, Ancara.
Anúncios bilionários
O secretário-geral da Otan disse que "o zumbido das máquinas precisa se transformar em um rugido", ao defender a escalada na produção de material de defesa no continente. Se isso vai ocorrer, é incerto, mas o som metafórico de caixas registradoras foi ouvido no fórum industrial da cúpula, que somou anúncios na casa dos US$ 50 bilhões (R$ 258 bilhões).
Mark Rutte
Como de costume, o holandês Mark Rutte nomeou sua motivação: Rússia, China e Coreia do Norte. "Não temos o luxo do tempo. Devemos permanecer vigilantes. Esses países estão trabalhando cada vez mais juntos, e isso deveria nos preocupar a todos, porque garanto que eles não têm nossos melhores interesses em mente", disse.
Trump critica Otan
Subjacente aos adversários há o inimigo íntimo da Otan, Trump, que participa da cúpula, para alívio dos aliados. Afinal, o presidente havia chamado a aliança de "covarde" por sua falta de apoio à guerra de Israel contra o Irã. Antes de sua participação no evento, em encontro como colega turco Recep Tayyip Erdogan, Trump voltou a criticar os aliados.
Dependência dos EUA
Trump disse que estava "testando as pessoas" acerca de seu apoio, e que foi frustrado por países como Alemanha e Itália. Também voltou ao tema da Groenlândia, que havia abandonado nos últimos meses, dizendo que "precisa" do território dinamarquês. Desde seu primeiro mandato (2017-21), o republicano fustiga os europeus pela dependência dos EUA.
Aviões‑radar comprados
Nesta terça, foram anunciados diversos negócios na cúpula. O mais vistoso politicamente é a compra, pela aliança, de dez aviões-radar GlobalEye da sueca Saab, a mesma fabricante do caça Gripen, usando no Brasil. Eles superaram a americana Boeing na disputa.
Por Igor Gielow (Folhapress)
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