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Ataques a navios reacendem tensão no Estreito de Hormuz

Ataques a navios reacendem tensão no Estreito de Hormuz
Estreito de Hormuz segue no centro da polêmica Crédito: NASA/GSFC via Wikimedia Commons

Três navios foram atingidos no estreito de Hormuz na terça-feira (7), e o Irã afirmou que não haverá novas negociações de paz enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não interromper suas repetidas ameaças de reiniciar a guerra. As tensões ocorrem em meio às cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, morto no início do conflito no Oriente Médio. Um cortejo fúnebre em Teerã reuniu milhares de pessoas na segunda e seguiu para a cidade sagrada de Qom nesta terça. Um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL), o Al Rekayyat, do Catar, foi atingido durante a madrugada após ser alvo de um ataque, que provocou um incêndio na casa de máquinas. A embarcação emitiu sinais de socorro e pediu assistência. A tripulação foi evacuada em segurança, mas o fogo e a fumaça impediram uma avaliação imediata da extensão dos danos.

 

Causa do acidente não foi confirmada

Causa do acidente não foi confirmada
Ataques aumentaram a tensão no Oriente Médio Crédito: Reuters/ Folhapress

O Qatar afirmou que o Teerã é o responsável, do ponto de vista jurídico, pelo que chamou de "ataque inaceitável" ao navio. Teerã não comentou, e uma autoridade americana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que as indicações iniciais apontam que o regime persa realizou os disparos. Um petroleiro de bandeira saudita, identificado por fontes de segurança marítima como o Wedyan, também foi atingido na costa de Omã. A causa do incidente não foi confirmada.

Ataque de drone aumenta tensão

Segundo dados de navegação, o Al Rekayyat pertence à empresa qatari Nakilat, uma das maiores operadoras de navios de GNL do mundo, e navegava com o sistema automático de identificação desligado. O Wedyan é operado pela empresa saudita Bahri. Em outro incidente, mais tarde na terça-feira, um navio-tanque foi atingido por um drone enquanto transitava pelo estreito, sofrendo danos leves, mas conseguiu seguir viagem até seu próximo porto de destino, informou a UKMTO, agência ligada à Marinha britânica.

Dilema para o setor marítimo

Os incidentes reforçam que a segurança da navegação no Golfo continua instável, apesar do acordo provisório de Washington e Teerã no mês passado. Segundo funcionários do setor marítimo, armadores enfrentam um dilema. Utilizar as águas controladas pelo Irã, consideradas seguras, significaria reconhecer o controle iraniano sobre o estreito. Por outro lado, navegar pelo canal patrulhado por EUA e Omã ainda apresenta risco de ataques.

Cúpula da Otan

Na segunda reunião de cúpula da Otan desde a volta de Donald Trump ao poder, no ano passado, a aliança militar ocidental reforçou a guinada de rearmamento de seus membros europeus com o distanciamento do presidente americano do clube fundado por seu país em 1949. A abertura da cúpula aconteceu na terça (7) na capital turca, Ancara.

Anúncios bilionários

O secretário-geral da Otan disse que "o zumbido das máquinas precisa se transformar em um rugido", ao defender a escalada na produção de material de defesa no continente. Se isso vai ocorrer, é incerto, mas o som metafórico de caixas registradoras foi ouvido no fórum industrial da cúpula, que somou anúncios na casa dos US$ 50 bilhões (R$ 258 bilhões).

Mark Rutte

Como de costume, o holandês Mark Rutte nomeou sua motivação: Rússia, China e Coreia do Norte. "Não temos o luxo do tempo. Devemos permanecer vigilantes. Esses países estão trabalhando cada vez mais juntos, e isso deveria nos preocupar a todos, porque garanto que eles não têm nossos melhores interesses em mente", disse.

Trump critica Otan

Subjacente aos adversários há o inimigo íntimo da Otan, Trump, que participa da cúpula, para alívio dos aliados. Afinal, o presidente havia chamado a aliança de "covarde" por sua falta de apoio à guerra de Israel contra o Irã. Antes de sua participação no evento, em encontro como colega turco Recep Tayyip Erdogan, Trump voltou a criticar os aliados.

Dependência dos EUA

Trump disse que estava "testando as pessoas" acerca de seu apoio, e que foi frustrado por países como Alemanha e Itália. Também voltou ao tema da Groenlândia, que havia abandonado nos últimos meses, dizendo que "precisa" do território dinamarquês. Desde seu primeiro mandato (2017-21), o republicano fustiga os europeus pela dependência dos EUA.

Aviões‑radar comprados

Nesta terça, foram anunciados diversos negócios na cúpula. O mais vistoso politicamente é a compra, pela aliança, de dez aviões-radar GlobalEye da sueca Saab, a mesma fabricante do caça Gripen, usando no Brasil. Eles superaram a americana Boeing na disputa.

Por Igor Gielow (Folhapress)