Correio da Manhã
Internacional

Venezuela contabiliza 2.295 mortos em terremotos; feridos somam 11 mil

Agências apontam subnotificação do número de vítimas dos terremotos na Venezuela; Nasa calcula que 59 mil edificações foram atingidas

Venezuela contabiliza 2.295 mortos em terremotos; feridos somam 11 mil
Nasa calcula que 59 mil edificações foram danificadas ou destruídas pelos terremotos na Venezuela Crédito: Reprodução/SEAUD-SECOM

A Venezuela contabiliza 2.295 mortos e mais de 11 mil feridos em decorrência dos terremotos em sequência que atingiram o país na semana passada. O balanço desta quarta-feira (1º), divulgado pelo presidente do parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, aponta que 12.841 pessoas afetadas foram desalojadas pelos tremores do dia 24 de junho.

Organismos internacionais que atuam no auxílio às vítimas da tragédia acreditam haver uma subnotificação de mortos e feridos. Levantamentos informais apontam que mais de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas.

Além disso, o número de pessoas resgatadas com vida dos escombros caiu de 5.380 nos primeiros dois dias após os tremores para apenas quatro na segunda-feira (29) e um na terça (30), uma criança que ficou seis dias presa sob as ruínas de um prédio. Esses números, porém, não incluem os resgates feitos por grupos voluntários em locais que não foram atendidos pelas equipes oficiais.

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Caixões são empilhados no porto de La Guaira, estado mais atingido pelos terremotos na Venezuela | Foto: Reprodução/SEAUD-SECOM

Dados fornecidos pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, estimam que 59 mil edificações foram danificadas ou destruídas pelos terremotos.

A OMS avalia que o sistema de saúde do país está sobrecarregado, em um cenário caótico aprofundado pela redução da capacidade de atendimento de hospitais que tiveram sua estrutura danificada. Milhares de médicos e enfermeiros também estão entre os desaparecidos.

“As conclusões preliminares revelam uma prestação de serviços e um fluxo de pacientes caóticos, marcados pela superlotação e pelo aumento das filas de espera para cirurgias", disse o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.

Organizações humanitárias alertam ainda para a crise que começa a surgir no país. As Nações Unidas afirmam que milhares de pessoas que perderam suas moradias se acumulam em parques e abrigos insalubres e superlotados, aumentando o risco da proliferação de doenças como o sarampo, cuja vacinação na Venezuela registra baixos índices.

Segundo Lindmeier, o acúmulo de sujeira e entulho cria condições favoráveis à disseminação de infecções transmitidas pela água, como dengue, febre-amarela e malária. Em La Guaira, estado mais atingido pelos terremotos, a cerca de 30 quilômetros de Caracas, a escassez de alimentos também começa a se tornar um problema.

Filas gigantescas se formam nas tendas montadas pela Cruz Vermelha, pelo Programa Alimentar Mundial e por outras organizações para entrega gratuita de artigos de higiene pessoal, alimentos, medicamentos e máscaras faciais.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) calcula que 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária na Venezuela após os tremores.