CORREIO NO MUNDO

Na encíclica, papa Leão 14 pede desaceleração da IA

Na encíclica, papa Leão 14 pede desaceleração da IA
Papa Leão 14 abordou a Inteligência Artificial no texto Crédito: Reuters/Folhapress

Em sua primeira encíclica, o papa Leão 14 alertou para os riscos dos efeitos da inteligência artificial sobre o trabalho e novas formas de escravidão, sobre guerras e um colonialismo "de rosto inédito", sobre a desinformação e a dependência digital. O pontífice pediu que os católicos permaneçam "fiéis à verdade", que invistam em educação digital, que cuidem das relações com "presença física" e priorizem a justiça e a paz. Da comunidade internacional cobrou "quadros jurídicos adequados" e "vigilância independente". E instigou a classe política a agir para "reduzir a velocidade onde tudo se acelera". Chamada de "Magnifica humanitas" (humanidade magnífica, em latim), o texto de 245 parágrafos foi publicado na segunda (25) pelo Vaticano.

 

Textos direcionados aos católicos

O texto foi publicado pouco mais de um ano depois da eleição do americano Robert Prevost, 70. Seu subtítulo é "sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial".

Encíclicas são textos aprofundados sobre temas escolhidos pelo papa. Direcionadas a todos os católicos -hoje cerca de 1,4 bilhão-, são consideradas uma indicação das prioridades do pontificado.

Riscos para o mercado de trabalho

Riscos para o mercado de trabalho
Papa reconheceu que a Igreja não condenou a escravidão Crédito: Jean-Baptiste Debret, Domínio Público via Wikimedia Commons

O texto está organizado em cinco capítulos, além de introdução e conclusão, e contextualiza o tema da IA sob o ponto de vista teológico e da Doutrina Social da Igreja, centrada nos princípios do bem comum. "Nas escolhas relativas a fluxos econômicos e plataformas digitais, na gestão dos dados e dos algoritmos, não se pode permitir que poucos sujeitos orientem sozinhos os processos", afirmou.

Para o papa, o mercado de trabalho é uma das áreas mais expostas a riscos. "É desejável que a tecnologia alivie o homem de trabalhos pesados, repetitivos ou perigosos", diz.

Humanidade deve sempre prevalecer

"Desarmar a IA significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas também econômica e cognitiva", escreveu Leão 14. "Não significa renunciar à tecnologia, mas impedir que ela domine o ser humano. Significa retirá-la dos monopólios, torná-la discutível, contestável e, portanto, habitável."

Por Michele Oliveira (Folhapress)

Trabalho em foco

Ao citar "novas formas de escravidão" na encíclica, o papa afirma que parte significativa do funcionamento da economia digital é baseada no "trabalho silencioso" de pessoas que realizam "atividades pouco visíveis", como "etiquetagem de dados, moderação de conteúdos e treino de modelos".

Escravidão

Em muitos casos, "são jovens, majoritariamente mulheres, que trabalham arduamente por uma remuneração mínima", disse o pontífice, que também reconhece que a Igreja Católica não condenou veementemente a escravidão transatlântica até o século 19 e fez um pedido de desculpas pessoal.

Pediu desculpas

"Isso constitui uma ferida na memória cristã", escreveu ele. "Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão." A paz é um dos temas centrais desse início de pontificado e, nas últimas semanas, motivou atritos entre o papa e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu vice, J. D. Vance.

Acordo no Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o acordo com o Irã será excelente ou não haverá acordo algum. Washington e Teerã minimizaram as esperanças de um avanço nas negociações pelo fim da guerra. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que os EUA chegarão a um bom acordo com o Irã ou lidarão com o país "de outra forma".

Rubio endossa

Há "algo bastante sólido em jogo no que diz respeito à capacidade deles de abrir o estreito, conseguir que o estreito seja aberto, entrar em uma negociação muito real, significativa e com prazo determinado sobre a questão nuclear, e esperamos conseguir isso", declarou. Os EUA darão à diplomacia "todas as chances de sucesso", disse.

Acordo distante

O regime persa também alertou que, embora tenham havido avanços nas negociações, ambos os lados ainda não estão perto de chegar a um acordo para o fim do conflito. "Afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai.