Uma procuradora de Macaé, no Norte do estado do Rio, fez uma postagem nas redes sociais, nesta terça-feira (27), falando que faria mais "política pública para petistas", inclusive sugerindo que empresas não contratem "artistas, pobres nordestinos e mineiros". Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro é alvo de um inquérito na Polícia Civil.
"Petistas não vão trabalhar pra mim, não vou fazer mais política pública pra poder ajudar esse tipo de gente. Aconselho a todos os empresários, microempresários a não contratarem artistas, pobres nordestinos e mineiros", disse um trecho da postagem no Facebook.
A mensagem segue em tom xenofóbico, quando a procuradora cita trabalhadores que vem de Minas Gerais para trabalhar em Macaé. "Aliás, mineiros saem de Macaé (sic)! Já basta o Espírito Santo que vocês invadem feito tralha".
Com a repercussão do caso, internautas recuperaram outras publicações de Renata nas redes sociais. Em uma delas, na rede social X, em 2025, ela diz que se pudesse "metralhava" pessoas de esquerda.
"Não tenho palavras para descrever estes nazistas de esquerda! Se eu pudesse metralhava a todos sem distinção! Estamos em guerra mesmo! Morte aos esquerdistas", escreveu. Também há mensagens de tom transfóbico.
Polícia e prefeitura da cidade investigam caso
A Prefeitura de Macaé informou que o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral do Município e que as medidas administrativas cabíveis estão sendo analisadas. A administração também afirmou que as declarações atribuídas à servidora não representam os valores nem a posição institucional do município. "Repudiamos veemente o teor das declarações ofensivas e discriminatórias".
Procurada, a Polícia Civil disse que, ao tomar conhecimento do caso, a 123ª DP (Macaé) instaurou um inquérito para apurar os fatos. Diligências estão em andamento.
Ao "g1", a procuradora disse que as publicações estavam em um perfil privado e que "foi traída por pessoas próximas". "Eu estava de cabeça quente. Os mineiros, inclusive, meu pai é mineiro, tá? Meu pai falecido, era mineiro, meu avô é mineiro. Estava de cabeça quente, como milhares de pessoas fizeram isso. É uma loucura, estou sendo ameaçada de morte", disse Renata.
Ela alega que, como procuradora, iria continuar fazendo políticas públicas com imparcialidade e tentou se explicar. "Agora, eu falei: 'Não dê emprego'. Pô, quando a gente tá de cabeça quente, a gente fala umas coisas que não fala, né?... Você tá entendendo? A gente bota filho de castigo, a gente faz milhões de coisas (sic)".
Questionada se estava arrependida da postagem, ela disse que não tiraria a mesma do ar. "Não tem como tirar, não tiro mais não, porque seria um ato covarde meu".
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