Há quase duas décadas, a Praia de Copacabana se transforma, no terceiro domingo de setembro, em palco de uma das principais manifestações pela liberdade religiosa no país. A Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa chega à 19ª edição reunindo representantes de diferentes tradições religiosas e pessoas sem religião em torno de uma pauta comum: o direito de professar a própria fé, ou não seguir nenhuma, com liberdade e respeito.
Organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), a caminhada foi criada em 2008, após uma série de episódios de perseguição e violência contra praticantes de religiões de matriz africana. A mobilização levou para as ruas do Rio de Janeiro um debate que, segundo os organizadores, ultrapassa a questão religiosa e envolve direitos fundamentais e cidadania.
A expectativa para esta edição é reunir cerca de 100 mil pessoas. Ao longo do trajeto, o público poderá acompanhar apresentações culturais, discursos, cânticos e danças que representam diferentes tradições religiosas.
Desde a primeira edição, o movimento cresceu e passou a reunir grupos de diversas partes do Brasil. Católicos, evangélicos, candomblecistas, umbandistas, espíritas, judeus, muçulmanos, budistas, representantes de tradições indígenas, ciganos e wiccanos estão entre os segmentos que já participaram da manifestação. Pessoas sem religião também integram a mobilização.
A proposta é manter o caráter plural da caminhada. Em vez de promover uma disputa entre crenças, os participantes compartilham o mesmo espaço público para defender a liberdade religiosa e combater manifestações de intolerância e racismo religioso.
A mobilização também ultrapassa os limites do Rio de Janeiro. Caravanas e grupos de estados como Bahia, São Paulo e Minas Gerais viajam para a capital fluminense para participar do evento e ocupar a orla de Copacabana em defesa da liberdade de crença e contra a discriminação religiosa.
Segundo dados divulgados pelos organizadores, mais de 1,8 milhão de pessoas já participaram da caminhada ao longo das 18 edições anteriores. A cada ano, a orla se transforma em uma representação da diversidade religiosa brasileira, com roupas, símbolos, cânticos, tambores, orações e outras manifestações culturais e de fé.
A permanência da iniciativa por quase 20 anos também evidencia a atualidade do debate sobre intolerância religiosa. Em um ano marcado por eleições, a discussão sobre direitos, cidadania e respeito às diferenças ganha espaço na agenda pública. A defesa da liberdade religiosa é apresentada pelos organizadores como parte da garantia de direitos em uma sociedade democrática.
Sem vínculo partidário, a caminhada mantém como uma de suas principais características o caráter aberto e inter-religioso. O movimento reúne diferentes crenças e também pessoas que não seguem nenhuma religião, tendo como referência a defesa da liberdade e do respeito à diversidade.
Após 19 edições, a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa se consolidou no calendário de eventos do Rio de Janeiro e na história da mobilização contra a intolerância religiosa no Brasil. A manifestação reúne milhares de pessoas, mas também representa uma tradição de convivência entre diferentes grupos.
Quase 20 anos depois de sua criação, a caminhada mantém a defesa de uma mensagem central: a fé não deve ser motivo de violência, discriminação ou exclusão, e o respeito à crença — ou à ausência dela — é parte fundamental da liberdade de todos.
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