Correio da Manhã
Ginástica

De volta às competições, Rebeca Andrade vai planejando futuro aos poucos

Ginásta celebrou o ouro no salto no Pan-Americano e pensa em fazer mais aparelhos ao longo dos torneios

De volta às competições, Rebeca Andrade vai planejando futuro aos poucos
Rebeca Andrade celebra o ouro pan-americano de saltos Crédito: Marcelo Perillier

Ela está de volta! E brilhando como sempre! Depois de longos meses afastada das competições para cuidar da saúde mental, Rebeca Andrade provou que o tempo sabático não a fez mudar suas técnicas e sua estrela. Disputando apenas no salto, ela faturou o lugar mais alto do pódio no Pan-Americano de Ginástica Artistica, do Rio de Janeiro, realizado na Arena 1 do Parque Olímpico. Mesmo que a diferença tenha sido nos centésimos para a segunda colocada, a canadense Lia Monica (14.266 a 14.249). A norte-americana Claire Pease (13.916) completou o pódio. 

Questionada se o ouro foi uma surpresa nesse retorno, Rebeca salientou que o mais importante fora competir e que a medalha a deixou muito orgulhosa.

"Eu queria ir bem. Esse era o meu foco principal. Passar bem pela competição, porque eu tava muito tempo sem competir, então voltar naquele jeito de controlar a minha mente, controlar o meu corpo, com essa parte do nervosismo frio na barriga, que fazia um tempão que eu não sentia. Então, acho que o resultado foi consequência mesmo, tentei fazer o meu máximo. Estou feliz que o ouro tenha vindo e que tenha vindo no Brasil, com todo mundo vendo, torcendo", disse a atleta, comentando que a força da torcida a ajudou nos saltos: 

"Eu acho que a alegria de poder ver o público é muito diferente de você estar no seu país e você estar em um outro lugar. Todo mundo gritando, vibrando, eu acho que isso, sei lá, de alguma forma me levanta ainda mais, dá ainda mais vontade de fazer melhor, de ser melhor", finalizou. 

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Rebeca fazendo o segundo salto no Pan-Americano | Foto: MeloGym/CBG

Sobre as adversárias, que também fizeram bons saltos, Rebeca disse que não olha as apresentações delas e que fica concentrada apenas em si.

"Eu nem, eu não vejo muitas apresentações. Às vezes eu fico meio de costas, às vezes eu vejo, não vejo, eu não olho o telão, não tenho o costume. Só fico orando, porque eu quero sair da competição bem, inteira, pra ir pra uma próxima", afirmou a ginasta. 

Francisco Porath Neto, mais conhecido como Chico, também falou um pouco sobre essa volta de Rebeca às competições. 

"A gente não busca resultado, busca o retorno dela. Então, teria que ver a contribuição dela dentro da equipe. Aanhar é consequência. Ela tem bons saltos, com execução boa e que leva ela a um somatório bom, para esse nível de competição (continental). Talvez no Mundial, o nível já esteja bem mais alto", declarou Chico. 

Em relação a participação dela em mais aparelhos, o treinador destacou que isso pode acontecer, mas dentro de um planejamento. 

"A posição da Rebeca somente com um salto hoje na equipe deixa a equipe um pouco mais, digo, desfalcada mas as meninas tem que fazer mais aparelhos também então, a gente está se preparando para essa situação também e para a situação da Rebeca voltando aos poucos com uma trave e depois a paralela que é o sonho que ela quer também para 2028. Ela pode ser uma especialista em solo, mais o treinamento de solo é muito difícil e pode comprometer com outros aparelhos. Então a gente vai fazer toda essa formação, esse planejamento para que ela vá incluindo aos poucos esses aparelhos", ressaltou o treinador. 

Competições futuras 

Agora, o foco de Rebeca está no Brasileiro, que acontece em agosto, em Brasília, onde ela pretende estar ainda melhor. 

"Nossa próxima competição é o Campeonato Brasileiro, então, é treinar, eu ainda não sei como vai ser o campeonato, não sei quais aparelhos eu vou fazer, onde vão me querer, mas o principal é estar feliz e me sentindo bem. Depois do Campeonato Brasileiro, acho que tem Copa do Mundo, tem Mundial também e espero chegar da melhor maneira possível", disse a ginasta, destacando que pode melhorar seus saltos: 

"Sempre dá para melhorar. Não foram os meus melhores saltos e eu tenho consciência disso. Estou muito feliz por ter voltado, por estar fazendo o salto. Eu não salto todos os dias, então a gente tem que colocar isso também no papel. Não tenho mais 15 anos, eu já sou uma ginasta, uma atleta mais velha, então assim, tem que ter muita consciência de tudo que a gente vai fazer. Então, se eu não tivesse segura, eu não teria feito os saltos", finalizou Rebeca. 

Planejamento na equipe

Mesmo com essa volta da Rebeca, Chico entende que ela não fará a mesma carga de aparelhos de ciclos passados e que este pode até ser o úlitmo dela. Então, essa responsabilidade para a nova geração aumenta, mas que isso está sendo trabalhado dentro da equipe. 

"A gente orienta os clubes para que as atletas façam todos os aparelhos, porque uma peça que a gente perde, tem que saber recorrer o outro aparelho. Então, é o que a gente está fazendo. A Taís e a Sofia, que fizeram os quatro aparelhos, a gente quer dar essa experiência, principalmente por esse processo de transição. Melhorar nos aparelhos que elas não são tão bem e colocar mais dificuldade nos que elas se saem melhor, porque elas sabem que a competição é de meninas que fazem realmente mais aparelhos. Não tem ninguém garantido com um aparelho só", salientou Chico. 

A proxima competição da ginástica artítica é o Campeonato Brasileiro em agosto, em Brasília, onde serão disputadas as categorias adulto e infantil. A capital federal também recebe, em outubro, o Brasileiro de ginástica acrobata e parkour.