Acostumado a dominar as argolas e a levar o público brasileiro ao delírio, Arthur Zanetti vive hoje uma nova relação com a ginástica. Longe das competições desde a aposentadoria, o campeão olímpico voltou à Arena Carioca 1, palco de momentos marcantes de sua trajetória, para acompanhar o Campeonato Pan-Americano de Ginástica Artística, na última semana, e prestigiar a nova geração de atletas brasileiros.
Ao observar os jovens ginastas ocupando o espaço onde construiu parte de sua história, Zanetti admite sentir orgulho e satisfação. Para ele, competir diante da torcida brasileira é uma experiência única e fundamental para o desenvolvimento dos atletas.
“Sempre é muito bom estar voltando aqui no Rio de Janeiro, principalmente nas arenas que a gente competiu, e ver essa nova geração estar ali competindo. É importante para eles, além de ter uma competição internacional, como o Pan-Americano, também estarem com o público brasileiro ali, sentindo como é competir em casa”, afirmou.
Segundo ele, a atmosfera criada pela torcida faz toda a diferença para quem está iniciando uma trajetória no alto rendimento. “Você competir em um país e competir dentro de casa são competições diferentíssimas. É legal estar ali prestigiando, podendo acompanhar e tentando ajudar o máximo essa nova geração”, acrescentou.
Uma nova rotina fora dos aparelhos
Se os dias de treinamento intenso ficaram para trás, a agenda do ginasta segue movimentada. Zanetti revelou que sua rotina continua ligada ao esporte, embora agora em diferentes funções.
Atualmente, ele participa de ações de divulgação da modalidade em parceria com a Confederação Brasileira de Ginástica, buscando atrair novos praticantes, especialmente para a ginástica masculina. Além disso, atua como árbitro internacional e marca presença nas principais competições nacionais.
“Tem períodos do ano em que a gente acaba viajando bastante. Estou trabalhando nessa parte da divulgação, conversando bastante com a Confederação para divulgar as competições e chamar mais crianças para a prática da ginástica”, explicou.
Outro compromisso importante será sua participação nos próximos Jogos Olímpicos como embaixador do Comitê Olímpico Internacional (COI). “Vou estar lá representando o Brasil, mas de outra forma, como embaixador”, contou.
Fora das quadras e ginásios, Zanetti também se dedica à vida familiar. Pai de Leon, de cinco anos, ele procura apresentar diferentes modalidades esportivas ao filho, mas sem pressão para seguir seus passos.
“A gente sabe que o esporte envolve muitas outras coisas, não simplesmente a saúde, mas integração social, disciplina e objetivos. Então eu mostro para ele para que possa escolher. Se ele quiser um dia ser atleta, vai ser uma escolha dele”, afirmou.
CrossFit e a paixão por continuar ativo
Mesmo aposentado das competições, o campeão olímpico não abandonou a atividade física. Atualmente, ele encontrou no CrossFit uma forma de manter a rotina de exercícios e segue despertando a curiosidade de praticantes da modalidade, especialmente sobre um dos movimentos mais desejados: o ring muscle up.
Questionado sobre o segredo para executar o exercício com facilidade, Zanetti foi direto ao ponto: não existem atalhos. “São muitos anos. Desde os sete anos fazendo ginástica. No total, foram 27 anos de preparação física, musculação e treinamento. O talento ajuda, a genética também envolve muito isso, mas é muito trabalho. Não tem segredo. É treinar, treinar, treinar”, resumiu.
Embora tenha considerado seguir carreira como treinador após a aposentadoria, experiência que viveu por pouco mais de um ano em São Caetano do Sul, Zanetti decidiu direcionar seus esforços para a área de gestão e promoção da modalidade.
“Fui técnico quando encerrei minha carreira. Acabei ficando quase um ano e dois meses, mas tive que escolher. Como na nossa vida são escolhas, optei por fazer essa parte de divulgação e gestão”, explicou.
A decisão marca uma nova etapa na trajetória de um dos maiores nomes da história da ginástica brasileira. Agora, em vez de buscar medalhas nos aparelhos, Arthur Zanetti trabalha para inspirar e abrir caminhos para as futuras gerações que sonham em alcançar o topo do esporte.
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