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Um olhar atento aos professores

Mais do que cobrar medidas e incentivos, governos precisam ver a importância da carreira

Um olhar atento aos professores
Os melhores professores não são o que ensinam, e sim os que cativam Crédito: Adobe Stock

Aos mestres, com carinho! A frase é tradicional e emblemática no 15 de outubro. Porém, por que a data é reservada para celebrar o Dia dos Professores? A explicação mais lógica — e mais aceitável — vem da história do Brasil. Foi neste dia, em 1827, que Dom Pedro I assinou a lei que regulamentou o ensino elementar no império, definindo conteúdos, salários e contratação de professores para os cidadãos começarem a ter aulas. Mas a data foi oficializada mesmo no governo de João Goulart, em 1963, tornando-se feriado escolar.

O presidenciável Augusto Cury tem um livro emblemático, intitulado "Pais Brilhantes, Professores Fascinantes", onde discute a ideia de que a educação na sala de aula e em casa não deve ser apenas superficial, mas de forma mental, fazendo com que a criança pense nas suas ações e atitudes, transformando-a num ser pensante, que discute ideias e não que apenas dissemine o mais do mesmo.

Muitos até criticam que o estilo da sala de aula de hoje ainda se remate aos idos do século passado. Contudo, a forma de ensino do professor é que conta em como ele encanta e motiva os alunos. Aqueles que lembram e criam laços de amizade com os docentes, não apenas o idolatram, mas provam que o cativaram como ser humano, e é justamente isso que Cury prega em seu livro, demonstrar mais o lado humano das situações e fazer com que a criança se veja em uma situação de perigo, desespero e insegurança, e use a mente para desenvover habilidades para procurar soluções e saídas.

Mais do que dar conteúdo, um bom professor é aquele que motiva e incentiva os alunos a estarem presentes na aula, a serem participativos, a serem comunicativos e a não terem vergonha de falarem o que pensem, pois tudo deve ser aproveitado.

A grande questão não está dentro da sala, e sim fora dela. O grande calcanhar está justamente nas políticas públicas e na falta de incentivo dos governantes para com a profissão. Hoje, muitos jovens não pensam mais em seguir o magistério, exatamente pela falta de perspectiva financeira e de carreira, fazendo com que o mercado fique cada vez mais com os que já estão nele.

A criativadade e o acompanhamento com as novas mídias e tecnologias também conta, mas nada adianta ter conteúdo, ser inteligente, se não consegue passar com eficiência e eficácia, sem ter ferramentas e incentivos necessários para tal.

Portanto, neste 15 de outubro, mais do que celebrar o Dia do Professor e dar o mesmo ponto de consideração que muitos dão, está na hora de ver no que se deve, de fato, melhorar e cobrar, pois a principal carreira não é médico, engenheiro, advogado ou jornalista, ja que, antes de enfrentar o ensino superior, há o ensino básico, e é nele que vive o maior defeito do país, pela falta de qualificação profissional dada aos professores que estão sendo formados nos cursos de pedagogia e licenciaturas.

*Jornalista, licenciado em História e com pós-graduação em Educação Especial