IPCA-15

Conta de luz fica mais cara e inflação acelera em setembro

Prévia da inflação oficial acelera após queda em agosto, pressionada principalmente pela alta de 7,42% na energia elétrica

Conta de luz fica mais cara e inflação acelera em setembro
Principal impacto foi da energia elétrica residencial, que ficou 7,42% mais cara Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma forte aceleração em relação a agosto, quando o indicador havia registrado queda de 0,40%.

O avanço também ficou acima das expectativas do mercado, que projetava alta próxima de 0,53%. Com o resultado, o IPCA-15 acumula 3,82% no ano e 4,47% em 12 meses.

A maior pressão veio do grupo Habitação, que avançou 2,07% no mês. O principal impacto foi da energia elétrica residencial, que ficou 7,42% mais cara após a reversão do Bônus de Itaipu e o fim do desconto aplicado às tarifas de energia.

O IPCA-15 acompanha a variação de preços de famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos e utiliza um período de coleta diferente do IPCA.

Energia elétrica pesa na inflação

A energia elétrica residencial passou de uma queda de 6,25% em agosto para uma alta de 7,42% em setembro. O movimento ocorreu principalmente pela incorporação do fim do Bônus de Itaipu às tarifas cobradas dos consumidores.

O bônus é uma forma de devolver aos consumidores recursos excedentes da operação da usina de Itaipu e pode reduzir temporariamente o valor das contas de luz.

Também permaneceu em vigor a bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

No grupo Habitação, o gás encanado subiu 0,92%, enquanto a taxa de água e esgoto teve alta de 0,03%. O IBGE também registrou redução de 6,65% nas tarifas de energia em Fortaleza a partir de 26 de agosto, em razão da incorporação de recursos de uma repactuação do Uso de Bem Público.

Todos os grupos tiveram alta

Todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram variação positiva em setembro. Além de Habitação, os maiores avanços foram observados em Despesas Pessoais e Transportes.

Veja a variação dos grupos:

  • Habitação: 2,07%;
  • Despesas pessoais: 0,96%;
  • Transportes: 0,60%;
  • Comunicação: 0,54%;
  • Artigos de residência: 0,55%;
  • Vestuário: 0,41%;
  • Alimentação e bebidas: 0,40%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,13%;
  • Educação: 0,03%.

Passagens aéreas e gasolina ficam mais caras

O grupo Transportes registrou alta de 0,60%, influenciado principalmente pelo aumento de 9,82% nas passagens aéreas.

Os combustíveis também contribuíram para o resultado, com alta média de 0,22%. A gasolina subiu 0,30% e o gás veicular avançou 1,56%.

Na direção oposta, o óleo diesel caiu 0,78%, enquanto o etanol teve redução de 0,22%.

Tomate, arroz e carne pressionam alimentação

O grupo Alimentação e Bebidas apresentou alta de 0,40% em setembro. O resultado refletiu aumentos tanto nos alimentos consumidos em casa quanto na alimentação fora do domicílio.

Entre os produtos consumidos nos domicílios, os maiores destaques foram:

  • Tomate: 20,76%;
  • Arroz: 2,39%;
  • Carnes: 1,30%.

Na alimentação fora de casa, o item refeição apresentou alta de 0,38%. Já o lanche subiu 0,44%, mas desacelerou em relação ao mês anterior.

Cigarro também influencia resultado

O grupo Despesas Pessoais avançou 0,96%, segunda maior alta entre os grupos do IPCA-15.

O movimento foi influenciado pelo aumento de aproximadamente 14% no preço dos cigarros a partir de agosto.

IPCA-15 acumula alta de 4,47% em 12 meses

Com a alta de setembro, o IPCA-15 passou a acumular 3,82% em 2026 e 4,47% nos 12 meses encerrados no período.

O resultado mostra uma aceleração importante em relação à leitura anterior, quando o índice havia recuado 0,40%.

O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, índice utilizado como referência oficial para a inflação brasileira. A principal diferença está no período de coleta: o IPCA-15 considera, em geral, preços coletados entre a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência.