Representantes do governo brasileiro retomam nesta segunda-feira (31) as negociações com os Estados Unidos para tentar reduzir os impactos das tarifas aplicadas pela Casa Branca sobre produtos nacionais comercializados no mercado americano. A reunião será realizada por videoconferência, a partir das 14h30.
O encontro ocorre cerca de dez dias depois de uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o telefonema, os dois líderes concordaram em reabrir as discussões sobre as medidas comerciais.
A avaliação do governo brasileiro é que a decisão americana de sobretaxar produtos do país não tem fundamento. A expectativa, porém, é de que as negociações avancem de forma gradual, sem uma retirada integral das tarifas neste momento.
Ministros participam de reunião com governo americano
Pelo Brasil, estarão envolvidos nas tratativas o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Também devem participar assessores do presidente Lula, entre eles o diplomata Audo Faleiro.
A reunião deverá servir principalmente para identificar quais pontos podem ser novamente discutidos com Washington e quais produtos poderiam ser retirados da lista submetida às sobretaxas.
Integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que o posicionamento de Trump durante a conversa com Lula representou um sinal favorável à retomada do diálogo. Ainda assim, o governo brasileiro não trabalha com a expectativa de que as tarifas sejam integralmente suspensas no curto prazo.
Uma das possibilidades consideradas nas negociações é a ampliação das exceções. Nesse cenário, mais produtos brasileiros poderiam ser exportados para os Estados Unidos sem a incidência das sobretaxas.
Lula e Trump conversaram por mais de uma hora
A retomada das negociações foi acertada em 21 de agosto, quando Lula e Trump conversaram por telefone durante aproximadamente uma hora e 20 minutos.
Segundo o Palácio do Planalto, os presidentes discutiram diferentes assuntos, incluindo conflitos internacionais, a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos e as medidas tarifárias contra o Brasil.
Ao abordar o comércio bilateral, Lula apresentou a Trump a avaliação brasileira de que as tarifas são injustificadas. Depois da conversa, os dois presidentes concordaram em determinar a retomada das tratativas entre os governos.
Apesar do contato direto entre os chefes de Estado, diplomatas brasileiros avaliam que Trump não deverá participar dos detalhes técnicos das negociações. A expectativa é de que as discussões continuem concentradas no Departamento de Estado e no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
As tratativas entre os órgãos americanos e o governo brasileiro estavam sem avanços significativos nos últimos meses. Por isso, integrantes do governo Lula aguardam agora quais propostas serão apresentadas pelos Estados Unidos.
Entenda as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos
As medidas anunciadas pela Casa Branca envolvem duas sobretaxas diferentes sobre produtos brasileiros.
Uma delas é de 25% e foi justificada pelo governo americano com alegações relacionadas a práticas consideradas desleais em setores da economia brasileira. Entre os temas citados estão o sistema de pagamentos Pix, questões ambientais, propriedade intelectual e o mercado de etanol.
A segunda cobrança corresponde a 12,5% e está relacionada à política americana contra produtos fabricados em locais onde, segundo Washington, existe utilização de trabalho forçado.
Com as duas medidas, diferentes produtos brasileiros passaram a enfrentar uma carga adicional para entrar no mercado dos Estados Unidos.
Brasil leva disputa à OMC
Diante das tarifas, o governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC). A argumentação apresentada pelo Brasil é de que as medidas americanas são discriminatórias e violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito da organização internacional.
Washington, por sua vez, sinalizou disposição para discutir o assunto, mas ainda não indicou se pretende retirar as sobretaxas.
No governo brasileiro, a expectativa é de que uma eventual decisão da OMC não provoque, por si só, uma mudança imediata na política comercial americana. Ainda assim, o entendimento é de que a iniciativa reforça internacionalmente a posição do Brasil contra as tarifas adotadas pelos Estados Unidos.
As negociações desta segunda-feira devem indicar se a reaproximação entre Brasília e Washington poderá resultar em novas exceções ou em alguma redução das barreiras impostas aos produtos brasileiros.
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