A Polícia Federal apura as aplicações do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) no Banco Master, estimadas em cerca de R$ 117 milhões segundo documentos e apurações sobre o caso. A investigação busca esclarecer como os recursos previdenciários foram destinados à instituição financeira e se houve irregularidades no processo de decisão.
Entre as operações está um aporte de R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Master, aprovado pelo comitê de investimentos do Iprev em dezembro de 2023. Documentos analisados em apurações sobre o caso apontam que a exposição do instituto ao banco chegou a aproximadamente R$ 117 milhões.
A PF examina as etapas que antecederam as aplicações, incluindo o credenciamento da instituição financeira, a análise de risco, a avaliação dos papéis e os procedimentos de governança adotados pelo instituto.
Investigação mira decisões do Iprev
Um dos objetivos da apuração é verificar se os responsáveis pela administração do patrimônio previdenciário seguiram os procedimentos previstos para a realização das operações. A investigação também considera a possibilidade de gestão fraudulenta e outros delitos que possam estar relacionados às aplicações. Até o momento, porém, não há conclusão sobre eventual prática criminosa ou responsabilidade individual.
As Letras Financeiras adquiridas pelo Iprev não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A característica dos títulos ganhou relevância após a liquidação extrajudicial do Banco Master e a abertura de investigações sobre recursos de regimes próprios de previdência aplicados na instituição.
Consultoria participou das discussões
O Iprev tinha a Crédito & Mercado como uma das empresas de consultoria ligadas à área de investimentos. Documentos do instituto registram a participação de representantes da empresa em discussões anteriores à aplicação no Banco Master.
A atuação da consultoria também passou a ser analisada no contexto das operações. A empresa, porém, nega ter recomendado especificamente a aplicação dos recursos do Iprev no banco.
Aportes já eram questionados
As aplicações do instituto já haviam sido alvo de questionamentos antes do avanço da apuração federal. Representantes de servidores e autoridades locais recorreram a órgãos públicos e à Justiça para pedir esclarecimentos sobre a destinação dos recursos. Uma ação popular também questionou as operações e pediu o ressarcimento dos valores.
Em decisão posterior, a Justiça retirou JHC e o Município de Maceió da ação popular relacionada aos aportes. A medida não impede a continuidade das apurações sobre as operações realizadas pelo Iprev.
Prefeitura afirma que regras foram seguidas
A Prefeitura de Maceió informou que os investimentos do Iprev obedeceram aos procedimentos legais e administrativos e afirmou que o instituto está colaborando com as autoridades.
A apuração da Polícia Federal continua em andamento. O objetivo é esclarecer as circunstâncias das operações e verificar se houve irregularidades na gestão dos recursos previdenciários.
O atendimento presencial no Iprev foi suspenso temporariamente nesta manhã (10).
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