Streaming

Reino Unido aprova fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount

Autoridade britânica dá sinal verde ao negócio de US$ 110 bilhões, mas operação ainda depende de decisão da Justiça dos Estados Unidos

Reino Unido aprova fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount
Warner Bros Crédito: Divulgação/Warner Bros. Discovery

A Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA) aprovou nesta quinta-feira (6) a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, dando mais um passo para a concretização de uma das maiores operações já realizadas pela indústria global do entretenimento.

O aval foi concedido após a empresa apresentar compromissos considerados legalmente vinculantes às autoridades britânicas, levando o governo do Reino Unido a decidir pela não intervenção na transação.

Apesar da aprovação, a fusão ainda depende da conclusão de processos regulatórios e judiciais nos Estados Unidos antes de ser oficialmente finalizada.

Negócio está avaliado em US$ 110 bilhões

Anunciada em fevereiro, a operação está estimada em cerca de US$ 110 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 562 bilhões, e pretende criar um dos maiores conglomerados de mídia e entretenimento do mundo.

Se concluída, a nova companhia reunirá um amplo portfólio de marcas conhecidas internacionalmente, incluindo HBO, Max, CNN, Warner Bros. Pictures, DC Studios, Discovery, CBS, Paramount Pictures, Nickelodeon, MTV e Comedy Central.

A estratégia da Paramount é ampliar sua escala de atuação para disputar mercado com plataformas de streaming que dominam o setor, como Netflix e Disney.

Justiça dos Estados Unidos ainda analisará a operação

O principal obstáculo para a conclusão da fusão permanece nos Estados Unidos.

Uma coalizão formada por 12 estados norte-americanos, liderada pela Califórnia, entrou na Justiça para tentar barrar a operação sob o argumento de que a união reduzirá a concorrência na produção e distribuição de filmes e programas de televisão.

Segundo os procuradores-gerais, a concentração de mercado poderá resultar em aumento de preços para consumidores, redução da competitividade e menor oferta de oportunidades de trabalho na indústria audiovisual.

Na última terça-feira (4), um juiz federal da Califórnia marcou o julgamento do caso para março de 2027.

Como parte do processo, a Paramount assumiu o compromisso de não concluir a aquisição até que haja uma decisão judicial definitiva ou até 1º de junho de 2027, prevalecendo o que ocorrer primeiro.

Sindicato dos roteiristas também contesta acordo

Além da ação movida pelos estados, a fusão enfrenta resistência do Writers Guild of America (WGA), sindicato que representa roteiristas nos Estados Unidos.

A entidade argumenta que a concentração das empresas poderá reduzir a concorrência por contratos de criação de roteiros em Hollywood, diminuindo oportunidades para profissionais do setor.

A Paramount rejeita as críticas e sustenta que a fusão fortalecerá a capacidade de investimento em produções audiovisuais, permitindo maior competitividade diante do avanço das plataformas de streaming.

Atraso pode gerar custo bilionário

Caso a conclusão da operação seja adiada por um período prolongado, a Paramount poderá ter de arcar com pagamentos previstos contratualmente aos acionistas da Warner Bros. Discovery.

Segundo os termos do acordo, esse custo poderá chegar a US$ 1,7 bilhão, caso a transação permaneça suspensa por tempo superior ao inicialmente previsto.

Se receber aprovação definitiva nos Estados Unidos, a fusão criará um dos maiores grupos globais de mídia, consolidando ativos relevantes dos segmentos de cinema, televisão aberta, TV por assinatura, canais infantis, notícias e streaming em uma única companhia.