Correio da Manhã
CNC apoia jornada flexível por horas, mas pede mudanças em PEC

Confederação Nacional do Comércio apoia jornada flexível por horas, mas pede mudanças em PEC

Confederação avalia que proposta em análise no Senado amplia a liberdade de negociação entre empresas e trabalhadores, mas faz ressalvas ao trecho que dá prevalência ao contrato individual sobre acordos coletivos.

Confederação Nacional do Comércio apoia jornada flexível por horas, mas pede mudanças em PEC
PECS sobre jornada de trabalho tramitam no Senado Crédito: Reprodução

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manifestou apoio, com ressalvas, à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 12/2026, apresentada no Senado Federal, que prevê a adoção de um modelo flexível de jornada de trabalho baseado em horas efetivamente trabalhadas. A entidade avalia que a proposta amplia as possibilidades de negociação entre trabalhadores e empresas e oferece alternativas para setores com diferentes necessidades operacionais.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e surge em meio ao debate sobre mudanças nas regras trabalhistas em tramitação no Congresso Nacional. Enquanto a PEC nº 8/2025, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e acaba com a escala 6x1, já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado, a nova PEC propõe um caminho diferente. Em vez de estabelecer um limite único para todos os trabalhadores, o texto permite que empregados e empregadores optem entre o modelo tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um regime flexível remunerado por horas efetivamente trabalhadas.

Segundo a CNC, o texto tem como principal mérito a valorização da negociação coletiva. Em parecer técnico elaborado por sua Diretoria Jurídica e Sindical, a entidade afirma que a proposta está alinhada ao princípio do negociado sobre o legislado e acompanha o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a validade de acordos e convenções coletivas para disciplinar relações de trabalho, desde que respeitados os limites constitucionais.

Para a confederação, a flexibilização pode atender melhor às características de setores como comércio, serviços e turismo, que frequentemente operam com sazonalidade, horários ampliados de funcionamento e demanda variável ao longo do ano. A avaliação é de que modelos mais flexíveis permitem soluções adaptadas à realidade de cada atividade econômica, sem impor uma regra uniforme a todos os segmentos produtivos.

Apesar da avaliação favorável, a CNC demonstrou preocupação com o dispositivo que prevê a prevalência do contrato individual sobre acordos e convenções coletivas. Na visão da confederação, esse mecanismo pode enfraquecer a atuação sindical, reduzir a força da negociação coletiva e gerar insegurança jurídica nas relações de trabalho. Por isso, a entidade defende ajustes no texto durante a tramitação da proposta.

A CNC também fez críticas  à PEC que reduz a jornada semanal para 40 horas. A confederação argumenta que uma alteração constitucional uniforme pode criar dificuldades para segmentos que dependem de escalas diferenciadas e funcionamento contínuo. Além disso, alerta para possíveis impactos sobre custos operacionais, produtividade, competitividade e geração de empregos, especialmente entre micro e pequenas empresas. "A negociação coletiva oferece mais segurança e capacidade de adaptação às diferentes realidades do mercado de trabalho do que mudanças constitucionais de aplicação geral" defendeu a entidade.