Correio da Manhã
Taxa das blusinhas

Haddad mantém defesa da taxação de compras internacionais

Pré-candidato ao governo de São Paulo, petista reafirma apoio à medida revogada e critica cobrança de ICMS pelos estados

Haddad mantém defesa da taxação de compras internacionais
Fernando Haddad disse que não mudou de opinião sobre a cobrança do imposto federal, criada em 2024 Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que continua favorável à tributação de compras internacionais de até US$ 50, conhecida como "taxa das blusinhas", mesmo após a revogação da medida em ano eleitoral.

Em entrevista concedida na última semana à BBC News Brasil, Haddad disse que não mudou de opinião sobre a cobrança do imposto federal, criada em 2024 com o objetivo de reduzir a diferença tributária entre o comércio nacional e plataformas estrangeiras.

Segundo o petista, lojas físicas e empresas instaladas no país não podem ser submetidas a uma carga tributária superior à aplicada ao comércio eletrônico internacional. O ex-ministro argumentou que a medida buscava proteger a indústria nacional e preservar empregos.

Durante a entrevista, Haddad também criticou governadores que mantêm a cobrança do ICMS sobre compras internacionais, destacando o governador paulista Tarcísio de Freitas. O petista questionou a diferença de tratamento dada ao imposto federal e ao tributo estadual incidente sobre essas operações.

A declaração ocorre em meio à pré-campanha para o governo paulista. Pesquisa divulgada pela Quaest no fim de abril apontou vantagem de Tarcísio nos cenários de intenção de voto para a eleição de 2026, enquanto Haddad aparece na segunda colocação.

Embora o período oficial de campanha ainda não tenha começado, Haddad tem intensificado agendas pelo interior do estado, com visitas a universidades e encontros políticos. Segundo ele, a definição do candidato a vice-governador em sua chapa deve ocorrer nas próximas semanas.

O ex-ministro também comentou o futuro do Partido dos Trabalhadores após a provável última disputa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado sobre uma eventual sucessão interna, afirmou que o tema ainda é prematuro, mas considerou positiva a possibilidade de uma prévia partidária para definir futuros candidatos à Presidência da República.

Haddad disputou a Presidência em 2018, quando foi derrotado por Jair Bolsonaro no segundo turno. Atualmente, é um dos principais nomes do PT para a sucessão política da legenda nos próximos anos.