Após temporada de sucesso em São Paulo, o musical "Piaf - Eu não me arrependo", estrelado por Laila Garin no papel de Édith Piaf, segue em cartaz no Teatro Riachuelo Rio, A montagem, com dramaturgia de Newton Moreno e Alessandro Toller e direção de Sergio Módena, explora a rebeldia da grande dama da chanson française, uma ave canora que recusou todas as gaiolas colocadas diante de si.
Gigante em cena, Garin é acompanhada por orquestra sob direção musical de Cláudia Elizeu e por 12 atores, e dá voz a 'La Vie en Rose', 'Hymne à l'Amour', 'Padam, Padam', 'Milord' e 'Non, Je Ne Regrette Rien'. A produção é da Aventura, de Aniela Jordan e Luiz Calainho, com a qual a atriz e cantora reprisa a parceria de 'Elis, A Musical', montagem na qual reviveu a voz de Elis Regina. Neste ano, Laila completa 30 anos de carreira.
"Contar a história de Piaf em um musical é falar sobre vencer o destino que nos é imposto, mas celebrar a força feminina, a solidariedade e a vida inspiradora de uma mulher que superou todos os desafios e que jamais se arrependeu de suas escolhas", analisa Aniela Jordan, diretora artística da produtora.
A preparação de Garin para o papel passou por meses de trabalho com a fonoaudióloga Silvia Pinho e a professora de canto Amélia Gomes, para reconfigurar a embocadura e alcançar a ressonância nasal característica do timbre francês. "No caso de Piaf, acho que a voz é o que mais existiu ali. É através da voz que ela diz o quanto não quer morrer e o quanto ama desesperadamente a vida", resume a atriz.
Édith Giovanna Gassion nasceu em Paris, em 19 de dezembro de 1915. Criada entre um bordel, uma caravana circense e um bairro de classe trabalhadora, foi descoberta cantando na rua. Em 1935, nas esquinas de Pigalle, atraiu a atenção do dono de cabaré Louis Leplée, que a levou ao Le Gerny's, nos Champs-Élysées, ensinou-lhe as técnicas de palco e a rebatizou: "La Môme Piaf", o pequeno pardal.
Durante a ocupação da França pelos alemães, na Segunda Guerra, Piaf continuou cantando; o musical registra também seu envolvimento com a Resistência francesa. Em 1945, escreveu "La Vie en rose". Em 1947, fez seu primeiro show nos Estados Unidos. Em 1948, conheceu o pugilista Marcel Cerdan, campeão mundial dos pesos-médios, com quem teve um grande romance e que morreria no ano seguinte, em acidente de avião, quando viajava para reencontrá-la em Nova York. Em sua memória, Piaf gravou "Hymne à l'amour" e "Mon Dieu".
Abalada pela morte do companheiro e com fortes dores de reumatismo, passou a fazer uso da morfina e do álcool. Em 1951, sofreu um grave acidente de carro, foi submetida a várias cirurgias e a novas injeções de morfina e, mesmo fragilizada, realizou apresentações históricas no Olympia, em Paris, e no Carnegie Hall, em Nova York.
Depois de um romance com Charles Aznavour e de um casamento de quatro anos com Jacques Pills, envolveu-se com o cantor Georges Moustaki, ao lado de quem sofreu novo acidente de carro, em 1958, com traumatismo craniano que fragilizou de vez sua saúde. Em 1960, interpretou "Non, je ne regrette rien", que se tornou um de seus maiores sucessos e dá título ao espetáculo. Sem condições de retomar a carreira, retirou-se para o sul da França, onde viveu os últimos dias ao lado do marido, Théo Sarapo, e de sua enfermeira. Morreu em 10 de outubro de 1963, aos 47 anos. A morte foi anunciada no dia seguinte — o mesmo dia em que morreu seu grande amigo, o poeta Jean Cocteau, e o jornal Parisien Libéré estampou em primeira página: "A morte de Edith Piaf matou Jean Cocteau".
Sob cenografia de André Cortez, a montagem percorre a vida de Piaf desde a infância pobre em Paris até a consagração mundial. Laila gosta de citar uma máxima da personagem: "Se eu fosse obedecer ao que queriam de mim, não existiria Edith Piaf".
SERVIÇO
PIAF - EU NÃO ME ARREPENDO
Teatro Riachuelo (Rua do Passeio, 38 - Cinelândia)
Até 1º/11: quintas e sextas (20h), sábados (16h e 20h) e domingos (15h)
Ingressos entre R$ 50 e R$ 300
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