Uma companhia com 26 anos de estrada na dança contemporânea apresenta na cidade um espetáculo que contou com oito consultores especiais: crianças. A desCompanhia de dança, de Curitiba, encerra neste domingo (18) a temporada de "Desmundo" no Mezanino do Sesc Copacabana.
Para construir a peça, o grupo formou o GEAD — Grupo de Especialistas para Assuntos Diversos, coletivo de oito crianças que acompanhou e inspirou o processo de criação, dando pistas sobre o que os artistas deveriam negar no mundo atual e o que gostariam de reinventar. As percepções do grupo, mediadas por Elisa Cordeiro, alimentaram a criação dos artistas.
Dividida em dois atos — "A Torre" e "O Sol" —, a obra conduz os bailarinos Eraldo Alves, Juliana Adur e Sylviane Guilherme por universos distintos, entre o mundo real e o ideal, num trajeto que parte das adversidades de estar vivo até a celebração da vida em liberdade, amor e alegria.
No primeiro ato, os corpos ativam percursos marcados pelo desassossego e pelos desafetos que ferozmente nos afetam, numa reflexão sobre o encarceramento das subjetividades. No segundo, os artistas dançam a utopia de um mundo livre e empático, revelando sonhos que reverberam e contagiam alegrias. O prefixo DES, que carrega tanto a ideia de negação quanto a de reversão, orienta os dois movimentos da obra. É sobre esperança. Sobre cantar, dançar, sonhar, comer e plantar.
"'Desmundo' é a possibilidade de encontrar-se com o mundo real e com o ideal. Um corpo que contrai imerso no mundo real e que descontrai expandindo esperança e sonhando com a floração de mundo possível. É sobre a alegria de pensar num modo de vida que haja liberdade, que possamos ser o que queremos ser", destaca Cintia Napoli, diretora do espetáculo.
O corpo em cena é construído pela experimentação de estados corporais e tônus dos bailarinos, com trilha sonora original de Álvaro Antonio, figurino de Ricardo Garanhani e desenho de luz de Lucas Amado.
"Desmundo" estreou em 2024, no Miniauditório do Teatro Guaíra, em Curitiba, e desde então fez temporada na Casa Hoffmann, integrou o projeto de formação de público Público Dança, na Caixa Cultural Curitiba, e circulou por quatro cidades do interior paranaense — Maringá, Londrina, Cascavel e Guarapuava —, sempre com entrada gratuita, antes de chegar ao Rio.
Criada em 2000 pela própria Cintia Napoli, a desCompanhia investe na investigação do corpo, na pesquisa continuada e na criação colaborativa como método. São 24 obras de formatos variados ao longo de 26 anos, com presença em festivais no Brasil e no exterior — de Ingolstadt, na Alemanha, onde o grupo se apresentou duas vezes, a Portugal. No interior paranaense, Desmundo dividiu a estrada com Fundura, solo de Cintia Napoli com texto de sua autoria.
SERVIÇO
DESMUNDO
Sesc Copacabana (Rua Domingos Ferreira, 160)
Até 18/10, sexta (20h30), sábado e domingo (19h)
Ingressos: R$ 40, R$ 20 (meia), R$ 36 | (convênio Sesc), R$ 31 (convênio empresário), R$ 28 (sócio Sesc) e grátis (PCG)
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