Correio da Manhã
Teatro

Elas estão cansadas

Comédia dramática joga luz nas pressões da vida moderna e expõe o peso invisível carregado por quem aprendeu a dar conta de tudo o tempo todo

Elas estão cansadas

Entre bastidores caóticos, crises silenciosas, áudios intermináveis de aplicativos de mensagens, expectativas esmagadoras e cafés que esfriam no meio da rotina, um grupo de mulheres tenta sobreviver ao próprio cansaço enquanto se prepara para entrar em cena. Esse cenário, que transita de forma tênue entre a realidade e a ficção, é o ponto de partida de "Manual de sobrevivência das mulheres exaustas", espetáculo com texto e direção de Juliana Fernandes, em cartaz no Teatro Cândido Mendes.

A montagem apresenta uma comédia dramática que joga luz sobre as pressões da vida contemporânea e expõe o peso invisível carregado por quem aprendeu a dar conta de tudo, o tempo todo. No palco, as atrizes Dani de Azeredo, Denise Queiroz, Ingrid Lima, Isa Jales, Jackeline Marins, Joseane Kelly, Juliana Muniz e Taís Zavareze dão vida a personagens presas em um ciclo interminável de demandas profissionais, cobranças emocionais, buscas por autocuidado performático para manter (?) uma presença produtiva nas redes sociais. Entre cenas fragmentadas, quebras constantes e situações absurdamente familiares, o espetáculo conduz a plateia por uma narrativa que espelha o cotidiano com humor afiado, ironia e momentos de identificação dolorosamente reais.

Juliana detalha que a peça foi concebida como uma tragicomédia focada na exaustão feminina contemporânea e no esgotamento gerado pela exigência de uma performance constante. Ao longo da encenação, as personagens transitam por momentos absurdos e extremamente reconhecíveis, evidenciando como o cansaço extremo foi normalizado e até romantizado no dia a dia das mulheres. "O público ri, se identifica e, aos poucos, percebe que por trás do humor existe um esgotamento profundo e coletivo. Mais do que falar sobre cansaço, a gente questiona a obrigação de ser forte o tempo inteiro e propõe uma reflexão sobre culpa, sobrecarga emocional, saúde mental e a dificuldade de pedir ajuda. É um espetáculo que usa o humor como ferramenta de identificação, mas que também convida o público a refletir sobre os limites humanos em uma sociedade que exige performance constante", explica a diretora.

A escolha de abordar esse assunto no palco nasceu da percepção da autora de que o esgotamento virou uma constante na rotina moderna. "Escolhi escrever um texto sobre esse tema por ser algo muito comum atualmente: a exaustão constante. Principalmente entre mulheres que, muitas vezes, acumulam funções, responsabilidades emocionais, cobranças profissionais e pessoais enquanto ainda tentam manter a aparência de que está tudo sob controle", destaca.

SERVIÇO

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DAS MULHERES EXAUSTAS

Teatro Cândido Mendes (Rua Joana Angélica, 63 - Ipanema)

De 20 a 28/6, aos sábados e domingos (20h)

Ingressos entre R$ 35 e R$ 100