Às vésperas de dois dos maiores lançamentos da Disney Brasil no ano, o filme "Se Eu Fosse Você 3" e a segunda temporada da série original "Amor da Minha Vida", que estreiam em 8 e 9 de outubro, respectivamente, o estúdio convidou o Correio da Manhã para integrar uma roda de conversa com Monica Albuquerque, a VP de conteúdo original do Disney+ Brasil.
Por cerca de 30 minutos, a executiva contou qual a visão da Disney para o país, os critérios utilizados para aprovar e desenvolver uma produção nacional e até mesmo o que pode levar projetos já prontos a serem engavetados.
A grande aposta do Disney+ Brasil para este ano é a segunda temporada de "Amor da Minha Vida". A série original, estrelada por Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros, foi lançada em 2024 e logo se tornou um fenômeno de público e crítica, batendo o recorde de maior estreia de uma série nacional no streaming. Para Monica, as desventuras amorosas de Bia e Victor são uma produção que sintetiza bem o que o Disney+ busca em um projeto brasileiro.
- O importante para a gente é manter as situações brasileiras nas produções, a nossa contemporaneidade, a nossa forma de lidar com as coisas, né? A nossa cultura. Mas também precisamos fazer sempre o exercício de que se um estrangeiro estivesse vendo essa série, ele precisaria saber mais sobre o país ou sobre a cultura do do que está sendo contado? Porque se isso acontecer, a gente vai ter uma dificuldade de entendimento, né? Então, é um exercício. Não é mudar a história, nem suprimir alguma coisa, porque é muito interessante a gente também ver a identidade nacional, local. E o público internacional gosta de entender coisas que sejam tipicamente locais, desde que esteja contido dentro da própria história. Eu acho que 'Amor da Minha Vida' consegue isso, né? Tem um sabor muito brasileiro, tem um humor muito brasileiro, né? Situações que você fala: "Só no Brasil mesmo". É algo muito próprio. Enfim, são projetos que não precisam ter uma aula de história, de cultura e tal para entender o contexto. As situações, apesar de terem esse approach nosso, conseguem falar muito sobre e com essa geração. Você vê que, de alguma forma, é reconhecível por outras pessoas que estão na mesma situação. É algo humano, global, mas que se encaixa dentro de um contexto brasileiro, com dúvidas, questionamentos existenciais e tudo mais - explicou Monica.
Produções verticais
A executiva também falou sobre uma tendência de outros streamings em meio às redes sociais: as produções verticais, feitas para serem assistidas em smartphones. Segundo Monica Albuquerque, é um formato que já está sendo pensado internamente.
- A gente pensa em todas as as possibilidades e desdobramentos. Inclusive, para outros formatos. 'Amor da Minha Vida', por exemplo, a gente se pergunta se não renderia alguma coisa em vertical, sabe? Não temos essa resposta ainda, mas temos a pergunta. É uma das coisas que a gente vai avaliar nessa segunda temporada, um potencial de novo formato. E também sobre a internacionalização, todas as séries originais brasileiras vão ser pensadas com essa esse prisma, esse desejo da internacionalização. Por um motivo muito simples: a gente está recebendo um investimento grande nessa área de produção. É uma meta, a partir de metade do ano que vem, de ter uma estreia de um conteúdo brasileiro por mês no Disney+, entre ficção e não ficção. Então, é um investimento e uma expectativa muito grande da empresa de que os conteúdos brasileiros vão perfomar, vão funcionar e vão viajar mundo afora. A gente já viu isso acontecendo em outros países, como Turquia, Coreia do Sul, a Espanha... Por que não com o Brasil também? — comentou.
- Nesse momento, a gente está na fase de converss internas, com estudos. A gente não tem uma definição ainda, mas acho que provavelmente essa é uma das tendências de formatos que veio para ficar, né? Então, se isso se configurar, certamente, em algum momento, a gente deve fazer algum gênero nesse formato - completou.
Engavetados e o timing
Por fim, a VP de conteúdo original falou um pouco mais sobre o que leva um projeto previamente aprovado a não ver a luz do dia. Para ela, tem tudo a ver com o timing de lançamento e as mudanças no cenário do entretenimento.
- Acho que essa resposta é sempre do público. O nosso trabalho é fazer tudo para que uma produção tenha vida longa. Só que tem um desafio grande nessa nossa indústria, que é o espaço de tempo entre aprovar uma ideia e, de fato, a gente conseguir chegar com o projeto no ar. O projeto de médio prazo toma pelo menos dois anos, entre desenvolvimento, produção e pós-produção. Em geral, dois anos e meio. Então, às vezes, o que acontece é que em dois anos o contexto muda, né? Tem vezes que a gente acerta e tem vezes que, enfim, o mundo nos surpreende, né? Muda o contexto, mudam as emoções. Será que as pessoas ainda querem ouvir falar sobre esse tema? É sempre um risco, é sempre uma aposta e é sempre muito legal. Por isso a gente está sempre estudando história, antropologia, sociologia... Se conectando com as tendências para tentar adivinhar esse mood e entender sobre quais temas as pessoas ainda vão querer falar daqui a dois anos. Claro que isso parte do criador, que é a grande antena com esse imaginário coletivo, mas a gente, enquanto indústria, tem que fazer nossas apostas de acordo com a nossa audiência. E a gente tem que conhecer muito a nossa audiência para conseguir montar um pouco esse quebra-cabeça. Então, é um trabalho de risco, e por isso ele é tão suscetível às mudanças - explicou.
- Às vezes, alguma coisa que poderia fazer sentido num determinado momento, por uma conjuntura de fatores, muda e aquilo fica anacrônico, ou já foi feito antes do nosso. É muito comum. É muito dinâmico, mas, enfim, eu acho que isso é o maior impacto - concluiu.
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