Correio da Manhã
Streaming

'William Tell O Guerreiro' estreia na Prime Video

Cavaleiro cruzado que defendeu sua Suíça natal no século XIV ganha versão para as telas com Claes Bang, já disponível na Prime Video, e marcada por sequências de ação febris

'William Tell O Guerreiro' estreia na Prime Video
Claes Bang em 'William Tell', um épico sobre intolerância Crédito: Divulgação

Robin Hood ganhou, faz pouco, uma versão repaginada nos cinemas, com Hugh Jackman num visual maltrapilho, para explorar o herói em fase crepuscular. Nos quadrinhos dos EUA, a saga "Absolute Green Arrow", da DC Comics, também evoca essa figura, transformando o Arqueiro Verde numa espécie de serial killer do Bem, como um Dexter. Em paralelo ao mito do Robin do Bosque, que roubava ricos para matar a fome dos pobres, a Europa imortalizou outras lendas heroicas de flecha na mão, habitualmente associadas à narrativa de formação de seus estados nacionais.

Esse é o caso do besteiro William Tell, que ganhou fama a partir de 1474. Suas ações costumam ser sintetizadas num desafio de vida ou morte: acertar uma maçã na cabeça de seu filho, com uma flecha de caça, como um teste de aptidão de sua mira. Houve até série de TV (a franco-inglesa "Crossbow", de 1987 a 1989) sobre esse cavaleiro cruzado que desafiou o jugo austríaco sobre a Suíça do século XIV. Foi o dramaturgo alemão Friedrich Schiller (1759-1805) que consagrou Tell como um signo de liberdade, a partir de uma peça teatral com seu nome, de 1804.

Essa narrativa inspirou o cineasta irlandês Nick Hamm a adaptar as peripécias do às da besta e do quadrelo de mão para a telona numa produção metade helvética, metade britânica, orçada em US$ 45 milhões. Claes Bang é seu protagonista.

"William Tell - O Guerreiro" acaba de estrear na Prime Video da Amazon. Não teve vez nas telas, apesar da presença do astro dinamarquês que brilhou em "The Square" (Palma de Ouro de 2017) e viveu Drácula numa minissérie da Netflix.

O carisma de Claes é essencial para o desenho dramatúrgico do roteiro e filmado por Hamm numa linha épica. Parece mais "Braveheart" (1995), de Mel Gibson, do que uma longa-metragem de capa & espada convencional. O foco está na criação da identidade do povo da Suíça - país coprodutor do projeto, que se apoia na austera banda sonora de Steven Price. A direção de fotografia dionisíaco de Jamie D. Ramsay escora com eficácia o espírito de saga esboçado no argumento e buscado na realização.

A trama viaja no tempo até o ano de 1307, onde a Suíça é uma província sob o domínio da casa real austríaca, do clã Habsburgos. O povo suíço está ressentido com essa ocupação estrangeira e uma rebelião está a se formar, especialmente porque soldados dos líderes políticos maltratam a população à vontade. Alguns nobres suíços, como Rudenz de Attinghausen e Werner Stauffacher, tentam manter boas relações com os Habsburgos, seja por interesse próprio, medo de retaliação ou, no caso de Rudenz, por seu amor por Bertha, sobrinha de Albert, que se ressente da tirania de seu tio.

Tell é o habitante local com destreza em combate suficiente para reagir. Reluta, por devoção à sua família, mas o chamado da guerra vai conspurcar sua quietude, o que rende um espetáculo eletrizante. O carisma de Claes faz de Tell um personagem inquietante, repleto de conflitos. Não por acaso, o Festival de Toronto foi a plataforma de estreia da fita.