Embora pertença ao site oficial de uma grife do mercado editorial, a Sergio Bonelli, uma das mais lucrativas usinas de produção de quadrinhos do planeta, a URL www.sergiobonelli.it/ está abrindo caminhos para a venda de ingressos de teatro, com foco numa peça idealizada para festejar as quatro décadas de seu best-seller mais pop: o espetáculo "Dylan Dog Horror Show". Sua agenda vai de 22 de outubro a 10 de novembro, no palco da Sala Eliseo, em Roma.
Quem comanda a encenação é o diretor Valter Malosti, que opera a partir da dramaturgia assinada por Tiziano Sclavi (um mito das artes gráficas, aclamado como roteirista e escritor) e Nicola Russo. O foyer do Eliseo será transformado em um percurso imersivo inspirado na casa de seu personagem central: o Investigador do Pesadelo.
No Brasil, quem entrar no https://www.lojamythos.com.br/ pode encomendar online a edição comemorativa dos 40 anos de criação de Dog, batizada aqui de "Ecos Do Pesadelo". É uma antologia dos pesadelos curtos do já citado Tiziano Sclavi (criador de Dylan), em 24 histórias. Elas são desenhadas por grandes artistas da esquadra dylandoguiana. As 400 páginas desse almanaque são ilustradas por Giampiero Casertano, Corrado Roi, Angelo Stano, Montanari & Grassani, Bruno Brindisi, Giovanni Freghieri, Enea Riboldi, Carlo Ambrosini, Franco Saudelli e Claudio Villa.
Na Itália, a pedida é a Graphic novel "Angoscia", com desenhos de Carlo Ambrosini.
A partir de 18 de setembro, "Dylan Dog" ganha na Itália uma coleção especial de 41 volumes semanais, em capa dura e grande formato, lançada por "La Gazzetta dello Sport" e "Corriere della Sera", em colaboração com a revista "Tv Sorrisi e Canzoni" e a Sergio Bonelli Editore. Batizada de "Dylan Dog - 40 anni di paura!" ("Dylan Dog - 40 anos de medo!", em tradução livre), a série recupera algumas das aventuras mais representativas do chamado Investigador do Pesadelo.
Parido pela pena de Sclavi, Dylan Dog chegou às bancas em 26 de setembro de 1986, pela Sergio Bonelli Editore, embora a data editorial registrada para o primeiro número seja 1º de outubro daquele ano. Sua estreia aconteceu em "L'alba dei morti viventi" ("A Aurora dos Mortos-Vivos", em tradução brasileira), história escrita por Sclavi, desenhada por Angelo Stano e com capa de Claudio Villa. Ex-policial da Scotland Yard transformado em investigador particular especializado em casos sobrenaturais, Dylan vive em Londres, toca clarinete, refuta comer carne vermelha, briga contra a dependência ao álcool e enfrenta fantasmas, monstros, assassinos e mortos-vivos, quase sempre sob uma perspectiva em que o horror funciona como porta de entrada para questões existenciais, afetivas e sociais.
A própria aparência do personagem nasceu de uma referência cinematográfica: Sclavi tomou o ator britânico Rupert Everett como modelo visual para seu herói. A ligação acabaria produzindo uma curiosa viagem de ida e volta entre quadrinhos e cinema. Everett protagonizou, em 1994, "Dellamorte Dellamore" ("Pelo Amor e Pela Morte", no Brasil), de Michele Soavi, baseado no romance homônimo de Sclavi. O protagonista Francesco Dellamorte não é Dylan Dog, mas funciona como uma espécie de parente literário do investigador: os dois pertencem ao mesmo imaginário macabro e chegaram a se encontrar nos quadrinhos. A escalação de Everett reforçou deliberadamente essa conexão.
Dylan chegaria diretamente ao cinema em "Dylan Dog: Dead of Night" ("Dylan Dog e as Criaturas da Noite"), produção americana de 2010 dirigida por Kevin Munroe, com Brandon Routh no papel principal. Transferida de Londres para Nova Orleans, a aventura acompanha o investigador às voltas com vampiros, lobisomens e zumbis. O longa foi lançado comercialmente nos Estados Unidos em 2011 e chegou aos cinemas brasileiros em 12 de agosto daquele ano.
No próximo dia 26, na Europa, chega às bancas italianas "Prima che sia l'alba" ("Antes que amanheça", em tradução livre), edição nº 481 de "Dylan Dog". A capa será, por si só, parte da surpresa preparada pela Bonelli para celebrar o natalício de seu vigilante. A edição será publicada inteiramente em cores e, pela primeira vez na história da série, contará com quatro capas diferentes, além de uma embalagem inédita. O exemplar chegará às bancas dentro de um envelope especial opaco, que impedirá o leitor de saber previamente qual das quatro capas recebeu, transformando a própria abertura da edição comemorativa em parte da celebração.
Pelo tanto que já nos salvou de seres infernais, Dylan Dog merece esse mimo todo e muito mais.
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