Pitty lançou na sexta-feira (16) álbum homônimo, seu sexto disco de inéditas, pela gravadora Deck, nas plataformas digitais e também em CD e vinil. São 13 faixas que chegam sete anos depois de "Matriz" (2019). "Sinto que estou fazendo o meu primeiro disco, essa é a minha sensação", define a cantora sobre o processo de criação. "As coisas vêm na hora em que precisam vir. Depois de sete anos, surgiu um jeito novo de criar e eu me permiti seguir esse movimento sem tentar controlar o que estava acontecendo", detalha
O álbum nasceu depois de um período de pausa, escuta e reorganização. Uma inspiração que ela própria diz não ter racionalizado trouxe as ideias, e Pitty voltou a compor sozinha com o violão, como fazia no quarto da casa em Salvador nos primeiros anos. "Eu ainda não estava pensando em fazer um álbum. Mas veio um troço, a caneta começou a fritar, a caneta ferveu, e eu fui deixando. Me abri totalmente para aquilo que estava acontecendo. Esse disco se fez e se impôs. Eu fui tomada por ele."
Desta vez, porém, o processo avançou além das letras e das melodias. Em seu próprio estúdio, experimentou arranjos, criou riffs e pré-produziu demos. Em menos de dois meses, todas as músicas do disco estavam compostas.
O destinatário das demos também tem história. Em 2002, foi o produtor Rafael Ramos — que a conheceu em 1998, no circuito de bandas em que tocava, como o Inkoma — quem pediu à baiana uma fita K7 com suas composições em voz e violão. Daquela fita saiu "Admirável Chip Novo", disco de estreia produzido por Ramos e vendido em mais de 350 mil cópias. A parceria atravessou "Anacrônico" e boa parte da discografia seguinte.
O material de agora, pontua o produtor. chegou com outro grau de acabamento. "Quando ela fez as demos, as ideias estavam meio que prontas. O riff estava lá, a batida estava lá, a forma que o refrão crescia, até as quebradas de bateria. Então, muito dessa produção vem dela apresentar uma ideia completa. Não tivemos que passar por nenhuma reformulação, porque realmente, a demo era uma coisa perfeita, já empolgava", conta Ramos, que assina a produção do álbum ao lado de Pitty.
A abertura do álbum, "Sobremesa", primeiro single do projeto, lançado em setembro, une um riff de guitarra marcante a um refrão de forte apelo melódico. "Armadura" explora a possibilidade de um rock também dançante e incorpora uma referência a Clarice Lispector. "Desobediente" combina referências melódicas de diferentes tradições musicais com uma batida de hip-hop e o peso do rock, e tem produção de Nave ao lado de Pitty e Ramos. Felipe Vassão assina a coprodução de "Sobriedade Seletiva" e "Pileque de Poeta", duas faixas que aproximam as guitarras da pista de dança — dimensão de movimento que "Não à Deriva" também persegue. "Caminhada" trata de parceria e sororidade. "É sobre meu braço no seu quando o corpo vacila, é ser o teu eco na frente da mesma fila", canta ela. "Amiga," incorpora novas camadas de percussão e "Álbum de Casamento" dialoga com o blues. O repertório se completa com "Madame", "Prazer", "Universo", "Cuidada" e "Nó".
Mais de duas décadas depois de surgir como uma das vozes que transformaram o rock brasileiro, Pitty segue com a inquietação de quem ainda quer criar, experimentar e se mover, testar novas possibilidades.
E o álbum já saiu do estúdio para os palcos: a turnê estreou no sábado (17), no Espaço Unimed, em São Paulo, com ingressos esgotados, um dia depois do lançamento. Belo Horizonte, Porto Alegre e Vitória também já esgotaram. Ao todo, são dez apresentações em cidades diferentes até dezembro: o show passa ainda por Curitiba (PR), Recife (PE), Ribeirão Preto (SP), Sorocaba (SP), Balneário Camboriú (SC) e Leopoldina (MG), com últimos ingressos à venda. Novas datas e cidades serão anunciadas em breve.
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