Música

Autoralidade forjada à distância

Bianca Gismonti e violonista português Manuel de Oliveira apresentam no Manouche repertório autoral gestado a partir de encontros nas redes

Autoralidade forjada à distância
Manuel de Oliveira e Bianca Gismonti vêm de escolas e geografias distintas, mas compartilham uma maneira de lidar com o espaço da canção Crédito: Divulgação

Bianca Gismonti e o violonista português Manuel de Oliveira chegam ao Manouche nesta quarta-feira (14) com um duo de repertório autoral. Piano e violão cruzam fado, música brasileira, jazz e improvisação numa parceria que nasceu à distância, foi adiada pela pandemia e encontrou no palco brasileiro seu primeiro ponto de realização.

O contato começou antes da crise sanitária. Admirador de Egberto Gismonti, Manuel encontrou nas redes sociais o trabalho de Bianca, filha do compositor e multi-instrumentista, e decidiu escrever para ela. Em entrevista ao site Scream & Yell, o músico contou que reconheceu na pianista uma identidade própria, ainda que atravessada pela influência de Egberto. Bianca recebeu gravações de suas composições e percebeu afinidades, mas o encontro precisou esperar.

O diálogo foi retomado quando Oliveira voltou a procurá-la, a propósito de um convite para tocar no Amajazzon, em Belém. A apresentação acabou sendo a estreia do duo e confirmou uma percepção construída naquelas conversas: os dois vinham de escolas e geografias distintas, mas compartilhavam uma maneira de lidar com o espaço da canção. Segundo eles, os ensaios tiveram uma fluidez incomum; as composições chegavam prontas, mas permaneciam abertas às intervenções do outro.

Em março, a parceria ganhou uma primeira turnê brasileira, com oito apresentações. A dupla já gravou um primeiro álbum, previsto para este ano, e planeja nova turnê europeia em 2027. O show no Manouche registra um repertório em construção, aberto a composições recentes.

"Meu coração aponta para o Brasil, para um momento muito especial", afirma Manuel de Oliveira sobre a série ao lado de Bianca, a quem chama de "pianista de sensibilidade profunda". A brasileira define o encontro como "uma celebração íntima e poderosa", sustentada por "liberdade, improviso e emoção".

Bianca Gismonti começou cedo: aos 15 anos, acompanhou o pai em palcos internacionais. Formada em piano pela UFRJ, consolidou-se ao lado de Claudia Castelo Branco no Duo Gisbranco, criado há duas décadas e dedicado à formação de dois pianos. Em carreira solo, lançou "Sonhos de Nascimento", em 2013, e desenvolveu o próprio trio, entre rigor de escrita e liberdade de execução.

Manuel de Oliveira construiu uma carreira de mais de duas décadas na música instrumental portuguesa. O álbum "Ibéria 20|22" lhe rendeu o Prêmio Carlos Paredes em 2023. Egberto Gismonti é uma de suas referências assumidas, ao lado do flamenco de Paco de Lucía, do jazz e da canção portuguesa.

SERVIÇO

BIANCA GISMONTI E MANUEL DE OLIVEIRA

Manouche (Rua Jardim Botânico, 983) | 14/10, às 20h

Ingressos: R$ 140 e R$ 70 (meia)