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Sambar é bom e é preciso

Sambar é bom e é preciso
Sururu na Roda gravou em 'Na Linha do Tempo' um repertório daqueles para se ouvir com um copo de cerveja gelada ao alcance da mão Crédito: Vinicius Vieira/Divulgação

Trataremos do álbum "Na Linha do Tempo" (independente), com o qual o grupo Sururu na Roda comemora 25 anos de uma carreira dedicada ao samba. Engalanados na capa, todos a rigor, seguem, com a alma do Sururu, fiéis ao velho e bom pé-sujo, lugar que costuma receber desde a tradição do samba de raiz, quando desce do morro e vem pra cidade, até o pagode que desafia o improviso dos partideiros em duelos de rimas e batuques.

O Sururu nasceu em 2000 no Rio de Janeiro, com a desambição profunda das rodas de bambas do samba. E assim o grupo segue no andamento que o levou a ser um dos símbolos da resistência oral da cultura musical carioca.

Com sua formação atual, Ana Costa (voz e violão), Fabiano Salek (voz e percussão) e Silvio Carvalho (voz e percussão), desenvolvem a tradição e o bom humor que brotam nas noites de sambas e sambistas em torno das mesas dos bares. Convívio este sabiamente revisitado no CD festivo, quando o refinamento dos arranjos igualmente veste smoking: assim o Sururu se renova, conservando-se fielmente igual.

O repertório é de se ouvir com um copo de cerveja na mão, enquanto a outra batuca na mesa e o sorriso ilumina o rosto:

"Mutirão de Amor" (Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Sombrinha); "Sorriso Aberto" (Guará); "Pura Semente" (Acyr Marques e Arlindo Cruz); "Água da Minha Sede" (Dudu Nobre e Roque Ferreira); "Sambas de Roda" (pot-pourri): "O Cavalo de São Jorge" (Paulinho Pinheiro e Roque Ferreira), "Milagre" (Dorival Caymmi) e "Todo Menino é um Rei" (Zé Luiz do Império Serrano e Nelson Rufino); "Conversa de Botequim" (Noel Rosa e Vadico); "Mascarada" (Elton Medeiros e Zé Keti); "Ex-Amor" (Martinho da Vila); "Seja Sambista Também" (Arlindo Cruz e Sombrinha); "Fogo de Saudade" (Sombrinha); "Testamento de Partideiro" (Candeia) e "É" (Gonzaguinha).

Como de bobo o Sururu só tem as penas, entregou a direção musical do CD para Rildo Hora, que tocou realejo em todas as faixas; trouxeram, também, Mart'nália para participar de "Mascarada" e Marcelo Caldi para tocar piano em quatro sambas, além de Dirceu Leite, que tocou flauta e clarinete em quatro, e Léo Ramiro, que tocou trombone em outros quatro sambas. Ouça o álbum em https://l1nq.com/pzcz3b4.

Macaque in the trees
O Sururu da Roda conta sua história com novos arranjos para os sambas que gosta de tocar ao vivo em 'Na Linha do Tempo' | Foto: Divulgação

Ficha técnica

Capa - designer: Simone Campos, foto: Rogério von Krüger; gravação e mixagem: William Luna; masterização: Alexandre Rabaço; produção: Alan Rabelo.

*Vocalista do MPB4 e escritor