Música

Um ano sabático de quase quatro décadas

Saxofonista Joshua Redman apresenta no Rio show da turnê de 'Words Fall Short', álbum gravado com banda recém-formada

Um ano sabático de quase quatro décadas
Joshua Redman chega ao Brasil com disco novo e um quarteto em estreia Crédito: Divulgação


O Queremos Jazz!, vertente jazzística do tradicional festival, traz ao Rio nesta quarta-feira (30) o saxofonista Joshua Redman. A turnê, que passou por São Paulo nesta terça, marca a volta do estadunidense ao país com o álbum "Words Fall Short", lançado em junho de 2025 pela Blue Note numa formação enxuta com o pianista Paul Cornish, o baixista Philip Norris e o baterista Nazir Ebo. Agora, o quarteto pega a estrada para mostrar o novo trabalho de Redman.

Redman montou o grupo como banda de trabaho para a turnê de "Where Are We", disco de 2023 em que pela primeira vez gravou um projeto centrado na voz, ao lado da cantora Gabrielle Cavassa. Quando a turnê avançou, "algo virou no caminho", como ele próprio contou: decidiu que aqueles três jovens, todos na casa dos 20 anos, mereciam mais do que o papel de acompanhantes. Norris e Ebo chegaram primeiro; Cornish completou o time. O resultado virou o segundo álbum de Redman na Blue Note — oito composições próprias, 45 minutos, gravados como formação fixa.

"Words Fall Short" investiga a fronteira entre o que se diz e o que a música alcança: temas de imperfeição, linguagem, memória e conexão humana, alternando momentos contemplativos e passagens de improvisação coletiva intensa. O disco ainda amplia o diálogo entre gerações do jazz contemporâneo com participações especiais da saxofonista Melissa Aldana, da trompetista Skylar Tang e da própria Cavassa. A crítica especializada viu ironia do título do trabalho que, traduzido para o português seria algo como "quando as palavras falham". Afinal, depois de um elogiadíssimo álbum vocal, Redman voltou ao instrumental.

Sua trajetória anterior ajuda a entender essa reviravolta. Nascido em Berkeley (Califórnia), em 1969, o filho do saxofonista Dewey Redman formou-se em Harvard, venceu o concurso Thelonious Monk de 1991 e chegou a pedir para não entrar naquele momento na faculdade de Direito de Yale, na qual estava matriculado, para um ano sabático dedicado à música. Três décadas e meia depois, é um dos nomes centrais do jazz moderno, com trabalhos autorais e colaborações ao lado de Brad Mehldau, Christian McBride, Pat Metheny, Brian Blade e The Bad Plus — e a reputação de quem equilibra tradição e experimentação.

SERVIÇO

JOSHUA REDMAN

Vivo Rio (Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo) | 30/9, às 21h

Ingressos a partir de R$ 200 e R$ 100 (meia)