Música

O planeta que decifrou a Legião

Livro da astróloga e jornalista Mariana Candeias revisita a obra de Renato Russo por meio dos ciclos de Júpiter

O planeta que decifrou
a Legião

Affonso Nunes

"A Tempestade ou O Livro dos Dias", último disco da Legião Urbana, chegou às lojas em setembro de 1996. Renato Russo morreu em 11 de outubro do mesmo ano. O que quase ninguém percebeu é que o momento marcava também o início do terceiro ciclo de Júpiter do compositor. É por esse ponto de vista que se abre o livro "Renato Manfredini Júpiter - As Revoluções Solares do Líder Legionário", que a editora Garota FM Books apresenta em sessões de lançamento no Rio será lançado na terça-feira (6) na livraria Janela do Jardim Botânico e dois dias depois Travessa de Pinheiros, em São Paulo.

Áries com ascendente em Peixes, Renato atravessou os primeiros 12 anos de Legião sob os auspícios do planeta regente: a banda estreou em disco em janeiro de 1986, ainda dentro do segundo retorno de Júpiter do cantor — uma espécie de renascimento, segundo a astrologia, e para ele também. O último álbum, lançado quando o terceiro ciclo despontava, chegou antes do fim, que não deixou esperar.

Este é o argumento Mariana Candeias "Piky", astróloga e jornalista conhecida no meio jornalístico como Piky e nas redes como Maga Astrológica. Fã da Legião desde os 11 anos, ela partiu de Júpiter — regente do ascendente de Russo — para mapear uma correspondência entre os retornos do planeta (que correspondem a um ciclo de 12 anos) e a discografia gravada em igual período pela banda. A autora busca semelhanças entre os mapas astrológicos de Renato e o conteúdo de seus discos e da vida artística como um todo.

Para tanto, Piky mergulhou em fontes sobre a história da Legião e a biografia de Renato Russo, mas também em análises dos aspectos astrológicos de cada fase da vida do artista. A pesquisa nasceu acadêmica — como trabalho de conclusão publicado na biblioteca da escola de Astrologia Tradicional Saturnália, onde a autora estudou, além da formação em Tarô e Astrologia com Titi Vidal —, ganhou reforço de uma campanha de financiamento coletivo no Catarse e desembocou na edição pela Garota FM Books.

A experiência mudou a própria autora. "Acho que isso modificou minha visão sobre a astrologia. Durante a pesquisa, me surpreendi por encontrar tantos sinais do mapa astral nos álbuns e vice-versa", conta.

Apesar do tema, o livro evita o mero exercício de decifração, já que o interesse da autora recai sobre a produção artística e não sobre questões pessoais. O resultado final, segundo a editora, o livro "é uma declaração de amor à banda ao mesmo tempo que uma leitura da Revolução Solar que foge do convencional, ao acolher a abrangência da astrologia como linguagem simbólica".

A surpresa é garantida, segundo autora, tanto para quem lê o céu quanto para quem canta as canções da Legião que, mesmo desfeita com a morte de seu líder, três décadas depois ainda é vista por muitos a maior banda de rock do país.