Música

O marabaixo chega aos palcos do Rio

Emília Monteiro abre a turnê 'Amazônica' no circuito Sesc com muita lambada, carimbó e marabaixo a preços populares

O marabaixo chega aos
palcos do Rio

Affonso Nunes

Nós, brsileiros do Sul e Sudeste, podemos não ter muita familiaridade com os ritmos musicais da Região Norte, mas conhecemos o carimbó, a lambada e o marabaixo. Opa, marabaixo? Trata-se de um mo ancestral do Amapá, que nasceu nos terreiros dos quilombolas do baixo Amañarí e costumava levar dias para terminar. Essa rica tradição musical amazônica chega ao estado com a cantora Emília Monteiro e seu show "Amazônica" que inicia nesta quarta-feira (30), às 19h, no Sesc Copacabana, seu gito pelo estado.

O espetáculo, contemplado pelo edital Sesc Pulsar, apresenta os ritmos tradicionais que Emília herdou de família amapaense e paraense: o marabaixo, o lundu, o batuque do Amapá e o carimbó. Do outro, a vertente urbana que hoje se chama Amazônia Pop, representada pela lambada, pelo brega e pelo tecnobrega — gêneros que, nos aniversários da Ilha do Marajó, costumam reunir mais milhares de corpos do que qualquer bloco de rua do centro-sul do país.

A cantora radicada em Brasiília conta que conheceu o marabaixo, quando voltou a Macapá para visitar os pais. "Me deparei com o marabaixo... eu fiquei apaixonada por essa música. É m ritmo mais lento, como um lamento, mas é claro que, ao longo do tempo, se contemporaneizou e hoje não fala só das dores da época da escravidão", explica ela.

No palco, a formação é de trio elétrico moderno: baixo, guitarra e bateria, amplificando o balanço. Emília criou, em 2016, o Bora Coisar, o primeiro e único bloco amazônico de Brasília.

Sua trajetória passa pelo disco "Cheia de Graça" (2013), gravado com o percussionista Nena Silva, remanescente do Quilombo do Curiaú, e pelas parcerias com lendas do Norte. Emília é afilhada musical de Dona Onete, a dama do carimbó de Cametá, que gravou com ela e lhe cedeu canções — a dupla assina "Veneno de Cobra", há anos feita clássico nas paradas de festivais de música amazônica.

Passaram também pelo seu universo Mestre Manoel Cordeiro, Mestre Aldo Sena, Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro e Lia Sophia. Em 2026, Emília participou do disco "Te Dou um Norte", de Manoel Cordeiro, na faixa "Pocoroco", e prepara o lançamento de um novo EP sob direção do próprio mestre.

"A influência amazônica é a base da minha estrutura familiar, tanto afetiva quanto cultural e gastronômica. A cultura amazônica forjou minha identidade pessoal, o que se estendeu para a música, naturalmente", comenta a artista que, depois de Copacabana, segue segue com sua turnê fluminense nesta sexta-feira (2) no Sesc Niteroi.

SERVIÇO

EMÍLIA MONTEIRO - AMAZÔNICA

30/9, às 19

Sesc Copacabana (Rua Domingos Ferreira, 160 - Copacabana)

Ingressos: R$ 15, R$ 7,50 (meia), R$ 13,50 (convênios), R$ 11 (convênio empresário) e R$ 10,50 (sócio Sesc)