Tem reaggae clássico nesta sexta-feira (4) no Circo Voador. A jamaicana Third World se apresenta pela primeira vez no Brasil desde a morte de Stephen Cat Coore, em janeiro. Guitarrista, violoncelista e fundador do grupo, Coore foi a peça central de uma sonoridade que levou o reggae jamaicano a dialogar com soul, funk, jazz, rock e música erudita. Aos 53 anos de estrada, a Third World chega à Lapa para abrir o Festival Clássicos do Reggae, que em breve trará o Groundation.
O núcleo da banda que está em atividade tem Richard Daley, baixista ligado à banda desde a fundação, em 1973; Tony Ruption Williams, na bateria e no djembe; os tecladistas e vocalistas Norris Noriega Webb e Maurice Gregory; AJ Brown, nos vocais principais; Richie Barr, no baixo; e Richard Wiggz Walters, na guitarra. É Walters quem assume, no palco, a tarefa mais simbólica do conjunto: honrar a marca instrumental deixada por Cat Coore, cujo violoncelo e guitarra foram decisivos para que a Third World jamais soasse como uma banda de reggae convencional.
A história começa em Kingston, quando Coore e o tecladista Michael Ibo Cooper criaram o grupo ao lado de Richard Daley. A formação se completou, em sua primeira fase, com Milton Prilly Hamilton nos vocais, Carl Barovier na bateria e Irvin Carrot Jarrett na percussão. A entrada posterior de Bunny Rugs como voz principal ajudou a consolidar a identidade da banda, mas a ideia original já estava ali: fazer música jamaicana sem se fechar em uma só linguagem.
O repertório explica por que a Third World se tornou uma das principais pontes entre o reggae roots e o mercado internacional. "Now That We've Found Love", releitura de canção dos O'Jays, virou seu maior êxito pop e levou a banda às paradas britânicas e americanas. "1865", conhecida também como "96° in the Shade", é um de seus hinos mais densos, com a memória da escravidão jamaicana atravessando o balanço do reggae. "Try Jah Love", escrita e produzida por Stevie Wonder, dá outra medida da projeção conquistada pelo grupo no fim dos anos 1970.
A lista de canções fundamentais ainda inclui "Reggae Ambassador", "Sense of Purpose", "Forbidden Love", "Jah Glory", "Irie Ites" e "Cool Meditation" - um repertório que explica como a Third World trabalhou refrões pop, linhas de baixo dançantes, harmonias vocais e arranjos complexos sem abandonar a pulsação jamaicana. Foram mais de 20 álbuns de estúdio e nove indicações ao Grammy em uma trajetória que fez da banda uma referência de reggae fusion.
SERVIÇO
THIRD WORLD
Circo Voador (Rua dos Arcos, s/nº, Lapa)
4/9, às 22h
Ingressos: R$ 240 e R$ 120 (meia)
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