O Rock in Rio volta a ocupar o Parque Olímpico a partir desta sexta-feira (4) e escolhe começar pelo seu território mais clássico: duas jornadas de rock, uma noite de pop e música eletrônica e um feriado de 7 de Setembro montado como encontro de gerações. Neste primeniro fim de semnana (prolongado), a Cidade do Rock recebe Foo Fighters, Avenged Sevenfold, Calvin Harris e Elton John no Palco Mundo, mas a escalação do primeiro bloco ganha força justamente nos cruzamentos dos outros palcos — do Capital Inicial com Dado Villa-Lobos ao Jota Quest tocando Tim Maia, de Péricles cantando Motown a Laufey, uma das vozes do jazz-pop contemporâneo.
Na sexta, o Rock in Rio dá a largada com Foo Fighters. A banda de Dave Grohl fecha o Palco Mundo depois de Nova Twins, The Hives e Rise Against, em sua volta ao festival sete anos após sua última e avassaladora passagem na edição 2019 e quatro naos após seu maior baque. Em 25 de março de 2022, durante a turnê sul-americana, o baterista Taylor Hawkins morreu em Bogotá; o grupo cancelou todos os shows restantes daquele ano e fez, em setembro, dois concertos-tributo em Londres e Los Angeles.
A banda só retomaria a rotina de palcos em 2023, depois de lançar "*But Here We Are", disco gravado no luto e dedicado à ausência de Hawkins. Agora, em meio à turnê de 31 anos e ao lançamento de "Your Favorite Toy", o Foo Fighters volta a uma escala de festival com canções do peso de "Everlong", "All My Life", "Times Like These" e "Best of You" sempre cantada a plenos pulmões por seu fiel público.
O Palco Sunset, por sua vez, oferece uma espécie de mapa do rock brasileiro dos anos 1980 para cá. O Capital Inicial leva ao palco o espetáculo "Música Urbana", que cruza os grandes sucessos da banda com faixas do EP "Movimento" (2025) e recebe Dado Villa-Lobos, guitarrista, compositor e integrante da Legião Urbana. A parceria aproxima duas trajetórias que ajudaram a moldar a linguagem do rock de Brasília. Antes, Detonautas convida Biquini e Di Ferrero abre a programação. Na mesma noite, a música eletrônica assume o New Dance Order com Steve Angello, Giu x Carola, ATKÖ e Cat Dealers; E Paulinho Moska encabeça o Palco Global Village.
O sábado aprofunda a vertente pesada do fim de semana. Sepultura abre o Palco Mundo em sua turnê de despedida, "Celebrating Life Through Death", criada para celebrar 40 anos de carreira e que terá o último show em São Paulo, em novembro. O grupo carrega um catálogo em que "Arise", "Refuse/Resist" e "Roots Bloody Roots" se tornaram referências, com crítica social como elemento central. Depois vêm MGK e Bring Me The Horizon, banda formada em 2004 que transitou do metalcore para uma mistura de rock, hardcore, pop e eletrônico, antes do fechamento do Avenged Sevenfold. A banda californiana, criada em 1999, chega com uma trajetória que inclui "Nightmare" e "Hail to the King", discos que lideraram a Billboard 200.
O Sunset do sábado é uma programação paralela de respeito. Bad Omens fecha o palco, depois de Poppy, Black Pantera com Nervosa e Malvada com Day Limns. O encontro entre Black Pantera e Nervosa põe em diálogo duas bandas brasileiras que renovam o metal por caminhos distintos; Malvada e Day Limns abrem a tarde. No New Dance Order, a escalação reúne James Hype, Volkoder, Camila Jun com Eli Iwasa e Victor Lou. Em outras frentes, o Global Village recebe Korzus, Noturnall com Russell Allen e Rhegia; o Supernova coloca Supercombo, Lvcas, MC Taya e ZeROBADASS no mesmo cartaz. Este último fará seu primeiro show ao vivo e apresentará o disco na Cidade do Rock.
O domingo (6) troca as guitarras pelo pop, pelo R&B e pelas pistas. Calvin Harris fecha o Palco Mundo depois de Black Eyed Peas, Nelly e Barão Vermelho — Encontro Formação Original. O DJ e produtor escocês acumulou colaborações com Rihanna, Pharrell Williams, Frank Ocean, The Weeknd e Travis Scott, e ajudou a aproximar definitivamente a eletrônica do pop de estádio. O Black Eyed Peas chega com uma trajetória que mistura hip-hop, pop, eletrônico e ritmos globais; a presença de Nelly completa uma noite voltada aos hits da virada dos anos 2000.
Fora do Palco Mundo, o domingo tem alguns dos projetos mais definidos do primeiro bloco. Ne-Yo fecha o Sunset com o repertório que fez dele uma das vozes do R&B pop dos anos 2000 — e com o peso de ser também autor de canções como "Irreplaceable", de Beyoncé, e "Take a Bow", de Rihanna. Antes, o Jota Quest apresenta seu nóvissimo álbum "Jota Quest Toca Tim Maia", espetáculo de homenagem ao mestre do soul brasileiro que também celebra quase três décadas de carreira da banda mineira. BaianaSystem e Calema completam o palco. No New Dance Order, Sofi Tukker, Liu, Casa Bonita — Brisotti & Viot — e Meduza estendem a noite. O Espaço Favela concentra Xamã, Rael e Budah; o Supernova recebe João Gordo & Asteroides Trio em "Blitzkrieg Psycho Bop Ramones 50", Matanza Ritual, Bayside Kings e O Escritório.
O feriado de segunda-feira (7) é o dia de maior contraste dentro do Palco Mundo. Elton John fecha a noite em sua única apresentação no Brasil e no retorno aos palcos depois da pausa anunciada em 2023. O pianista e compositor britânico é dono de uma obra potente que atravessa o pop, o rock e o musical, e promete oferecer ao público versões ao vivo das autoralíssimas "Your Song", "Rocket Man", "Tiny Dancer" e "Can You Feel the Love Tonight", entre outros hits globais.
Antes de Sir Elton John, a noite propõe uma ponte de repertórios. Jon Batiste, vencedor do Oscar de melhor trilha sonora e do Grammy de álbum do ano, leva ao Palco Mundo um trabalho que cruza jazz, R&B, pop e gospel e tem o improviso como parte decisiva da apresentação. Gilberto Gil, com discografia de mais de 60 álbuns, chega com uma obra que atravessa MPB, samba, reggae, forró, rock, axé e ritmos africanos. "Palco", "Drão" e "Toda Menina Baiana" são algumas das canções que o mestre vai levar à Cidade do Rock. Luísa Sonza abre a programação e convida Roberto Menescal, uma aproximação explícita entre o pop de sua geração e um dos nomes fundamentais da bossa nova.
No Sunset, a segunda-feira também foge da fórmula. Laufey, cantora, compositora, produtora e multi-instrumentista islandesa-chinesa, fecha o palco com um som que liga jazz, pop e música clássica; ela se tornou a artista mais jovem a vencer duas vezes o Grammy de melhor álbum vocal pop tradicional.
E talvez uma das grandes surpresas sessa primeira metade de festival seja o show "Péricles Canta Motown", um emocionado tributo do maior vozeirão do nosso pagode à gravadora que revelou artistas como Stevie Wonder, Marvin Gaye e The Jackson 5. Mas não acabou... Anote aí: Roupa Nova recebe Guilherme Arantes e Vanessa da Mata chama Rubel. Na madrugada, Fatboy Slim assume o New Dance Order; Belo, Mart'nália e Tiee ocupam o Espaço Favela; João Bosco, Joyce Moreno, Leila Pinheiro, Fernanda Takai e Wanda Sá estão no Global Village.
A Cidade do Rock abre às 14h, encerra às 3h e permite último acesso até meia-noite. Os ingressos diários dão livre circulação entre os palcos: R$ 870 a inteira e R$ 435 a meia-entrada no gramado.
Confira, abaixo, a programação de sexta a segunda por palcos e seus horários aproximados.
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