Música

Canetas unidas no palco

Moacyr Luz e Gabriel Moura mostram canções de álbum lançado este ano no Blue Note Rio

Canetas unidas no palco
Moa e Gabriel Moura assinam um exercício de escuta, troca e síntese criativa Crédito: Rafael Wainberg/Divulgação

O samba atravessa os corações de Moacyr Luz e Gabriel Moura. Afinal, o verbo "atravessar" dá nome ao samba que abre o disco "Moa Moura", lançado em 23 de abril, a de celebração a São Jorge e aniversário de nascimento de Pixinguinha, em 1897.

O álbum, com oito faixas gravadas ao vivo no Estúdio Central, no Rio, foi concebido no formato mais despojado que se pode imaginar — vozes, violões e a percussão inventiva de Rodrigo Pirituba, que chega a extrair sons de um toca-fitas. Produzido pela dupla com Rico Manzano, o disco alinha composições inéditas e recriações de obras dos dois, sempre no balanço da brasilidade.

Há samba, xote, canções que resistem a rótulos — "Brasis", "Chamego", "Chora Brasil", "Luaê", "Mariazinha", "Banzo" —, tudo costurado pela cadência de duas canetas que aprenderam o ofício em escolas diferentes mas vizinhas. É desse material que nasce o show que estreia nesta quinta-feira (20), às 20h, no Blue Note Rio.

Moacyr Luz é o homem que há 20 anos sustenta o Samba do Trabalhador, roda criada em 2005 e hoje integrante do calendário oficial da cidade. A comemoração das duas décadas rendeu, em 2025, um álbum pela Biscoito Fino, com 16 faixas, sendo 12 de sua autoria em parceria. Mais de cem composições suas foram gravadas por intérpretes como Zeca Pagodinho, Maria Bethânia e Milton Nascimento — nomes que dizem tudo sobre o lugar onde Moacyr escreve. Gabriel Moura, por sua vez, é o cantor e compositor que em 1997 fundou a Farofa Carioca ao lado de Seu Jorge, lançando no ano seguinte "Moro no Brasil" pela Polygram e participando do Free Jazz Festival como revelação. Sua assinatura está em sucessos como "Burguesinha" e "Mina do Condomínio", parcerias com Seu Jorge que embalaram o Brasil e firmaram o nome do sobrinho do maestro Paulo Moura como um dos hitmakers mais discretos da MPB. Produtor musical e diretor musical de teatro, Gabriel Moura traz para o encontro um trânsito entre o samba e outras linguagens que enriquece a parceria. Não por acaso, as composições do disco transitam entre o samba de raiz e o xote, entre a crônica de rua e a canção de sala, num movimento que os dois compositores conhecem de cor.

"O 'Moa Moura' é muito simbólico porque fala justamente desse somatório: das nossas histórias, das experiências, das canções que a gente escreve e também entrega para outros intérpretes", afirma Gabriel Moura. E Moacyr completa: "Esse disco nasceu muito da liberdade que a gente teve em estúdio. A ideia era justamente voltar para o essencial: dois violões, sem recurso, sem efeito, só o som natural do instrumento e a verdade das canções".

SERVIÇO

MOACYR LUZ & GABRIEL MOURA

Blue Note Rio (Av. Atlântica, 1.910, Copacabana)

20/8, às 20h

Ingressos a partir de R$ 60 e R$ 30 (meia)