Música

Sorriso Maroto revisita memórias e dá nova voz ao seu "Lado B"

Bruno Cardoso, vocalista do grupo, deu contou ao Correio da Manhã sobre o novo projeto

Sorriso Maroto revisita memórias e dá nova voz ao seu "Lado B"
Novo projeto do Sorriso foi gravado no Rio Crédito: Sandro Mendonça

O Sorriso Maroto mergulha em seu próprio acervo para apresentar uma faceta menos conhecida de sua trajetória. Lançado em 30 de julho, o álbum "Sorriso Eu Gosto No Pagode - Lado B" resgata canções que, embora tenham conquistado um lugar especial entre os fãs mais antigos, ficaram em segundo plano ao longo dos anos. O projeto, gravado em maio, no Rio de Janeiro, reúne participações de grandes nomes do samba e do pagode, como Thiaguinho, Péricles, Belo, Ludmilla, Dilsinho e Mumuzinho, além de artistas que representam a nova geração do gênero.

O trabalho encerra uma trilogia iniciada nas comemorações dos 25 anos do grupo e reforça a proposta do Sorriso de revisitar sua história sem perder a conexão com o presente. A ideia surgiu, em parte, da própria relação com os fãs, que passaram a pedir nas redes sociais músicas menos lembradas durante a turnê "Sorriso As Antigas". A partir dessas manifestações, o grupo percebeu que havia um repertório afetivo ainda vivo na memória do público e decidiu transformá-lo em um novo projeto. Mais do que uma simples releitura de sucessos, o "Lado B" cria encontros entre diferentes gerações do pagode e dá novas vozes a músicas que estavam à espera de uma segunda oportunidade. Em entrevista ao Correio da Manhã, Bruno Cardoso, vocalista e um dos principais nomes à frente do grupo, falou sobre a concepção do projeto, a participação dos fãs, o encontro de diferentes gerações do pagode e o significado de revisitar esse repertório neste momento da carreira.

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Ao Correio, vocalista conta um pouco sobre o novo projeto que já é um sucesso | Foto: Sandro Mendonça

Correio da Manhã: O Sorriso Maroto já tem uma trajetória longa e muito consolidada dentro do pagode, atravessando diferentes fases e conquistando públicos ao longo dos anos. Como vocês enxergam esse momento da carreira e o que esse DVD e o lançamento do "Lado B" representam nessa fase do grupo?

Bruno Cardoso: Esse projeto é um futuro por um caminho de estradas já percorridas por nós, mas com um norte mais claro e definido. Esse repertório vem mexendo num lugar muito especial dos super fãs e ao mesmo tempo trazendo um frescor de novidade ao público geral devido ao formato de juntar novas vozes a essas músicas.

CM: O nome "Sorriso Eu Gosto No Pagode - Lado B" chama atenção e tem um significado forte. Quando a gente fala em "lado B", muita gente associa a músicas mais escondidas ou mais íntimas. Como surgiu esse título e o que vocês quiseram transmitir com ele nesse projeto?

BC: Sim, o lado B tem essa conotação. Aos 80/90ventistas sabem que o lado B são as músicas do lado B da fita cassete, são aquelas do lado contrário do vinil. Essas músicas eram mais difíceis de serem ouvidas porque tínhamos que trocar de lado a fita o vinil, dava preguiça kkkkk. Com isso as músicas ficavam pra depois, ficando no radar somente dos super fãs. Essa expressão ficou muito presente nas redes sociais, principalmente quando estávamos com a tour Sorriso as antigas, ali todos revisitaram o nosso acervo e começaram a falar sobre o lado B, fazendo uma cobrança pra que tocássemos nos shows e tal. Atentos a eles nós vamos anotando os pedidos, montando o projeto, roteiro pra que na hora certa o presenteássemos. A hora é essa, tá no mundo o Lado B.

CM: Vocês escolheram gravar esse projeto em DVD, no Rio, com participações que misturam nomes consagrados e a nova geração do pagode. O que motivou esse formato e como essas parcerias ajudaram a dar cara ao "Lado B"?

BC: Esse projeto é a 3ª etapa de uma trilogia de lançamentos. 1º as comemorações dos nosso 25 anos. Como ele fizemos dois movimentos. O primeiro álbum Sorriso Eu Gosto no Pagode, que em formato de roda de samba revisitamos parte da carreira e fizemos um pagode com os nossos amigos da cena. Na sequência fizemos também o registro da tour Sorriso As Antigas somando o repertório do Sorriso dos anos 1999 a 2016.

O 2º ato são as homenagens aos nossos ídolo dos e heróis. Através do projeto Sorriso Eu Gosto No Pagode gravamos o repertório e cantamos no vol. 2 com o Belo (Soweto), Chrigor (Exaltasamba), vol. 3 a homenagem ao Fundo de quintal, no Abbey Road Studios onde ganhamos o Grammy latino de melhor álbum de samba e o vol. 4 com o Alexandre Pires (SPC) e também o Luís Carlos (Raça Negra).

E o 3º a gente fecha trilogia com o Sorriso Eu Gosto No Pagode Lado B, que trás a nova geração do pagode e os consagrados artistas da cena juntos com o Sorriso revisitando esse repertório lado B.

CM: O Sorriso tem uma relação muito próxima com os fãs, que acompanham todas as fases do grupo. Como vocês pensaram esse projeto pra conversar com quem já está com vocês há anos e também pra alcançar um público novo?

BC: Falar a língua deles, no timing deles. Eles fizeram tudo, a gente só entregou o que eles queriam de nós. Manter esse canal é muito importante, as redes e o show quando se conectam real time. É o que buscamos fazer a todo momento.