Música

Encontros inéditos da MPB

Quarta edição do Doce Maravilha traz Caetano com Emicida, Paulinho da Viola com Bethânia e celebra discos históricos em três dias no Jockey Club

Encontros inéditos da MPB
Com curadoria de Nelson Motta, o Doce Maravilha chega mais encorpado Crédito: Diego Padilha/Divulgação

O show que Caetano Veloso e Emicida farão juntos no domingo, às 20h50, no Doce Maravilha 2026, não existe ainda no repertório de nenhum dos dois. Foi encomendado para esta noite, pensado como peça única. Esse tipo de aposta é a marca da quarta edição do festival que ocupa o Jockey Club Brasileiro, se sexta a domingo (7 a 9) com mais de 40 atrações em três palcos e capacidade para até 15 mil pessoas por dia.

Haverá ainda no sábado outro encontro memorável. Paulinho da Viola recebe Maria Bethânia. Os dois dividiram palco apenas uma vez, em 1972. Bethânia gravou composições de Paulinho ao longo das décadas — de "Sinal fechado" a "Foi um Rio que Passou em Minha Vida" —, mas apresentações conjuntas seguem raras. Somente com a curadoria de Nelson Motta, o festival conseguiria promover encontros desse peso.

A sexta-feira abre com a Noite Doce, dedicada ao rock e ao emo dos anos 1990 e 2000 — única jornada com programação concentrada em um único palco, o Bradesco. Dibob celebra 25 anos de carreira com Danilo Cutrim, Vitor Isensee, Diego Miranda e Dedé Teicher. Raimundos convida Thiago Castanho e Marcão Britto, de Charlie Brown Jr., para uma performance conjunta. E Fresno encerra a noite às 21h comemorando dez anos de "A Sinfonia de Tudo que Há", álbum de 2016, acompanhado pela Nova Orquestra — grupo que, no domingo, abre o Palco Bradesco interpretando "Bloco do Eu Sozinho", de Leo Jaime, e já se tornou atração por direito próprio.

No sábado, os encontros se multiplicam. O Cortejo Afro traz da Bahia Luedji Luna e Margareth Menezes como convidadas. No Palco Bradesco, Amanda Magalhães apresenta o novo show "Vida de Rei, Vida de Cão"; Chico Chico celebra Belchior com Juliana Linhares; e Leci Brandão divide o microfone com Rappin' Hood — combinação que põe samba e rap na mesma declaração de princípios. O Bloco do Silva encerra com clássicos da música brasileira de verão. O Palco Deezer completa o dia com Yasmin Lisboa, Sô Lima e Larinhx.

O domingo reserva mais celebrações de discos. Os Paralamas do Sucesso apresentam "Selvagem?", na íntegra, às 19h. Lançado em 1986, o álbum completa quarenta anos e segue como marco da fase em que Herbert Vianna e a banda diluíram fronteiras entre rock, reggae e ritmos brasileiros — com "Almirante Cinzeiro" e "Melô do Marinheiro" entrando no cancioneiro popular quase como folclore contemporâneo. Sandra Sá, voz que atravessou o samba-soul dos anos 1980, comemora no mesmo dia, às 17h55, quatro décadas de seu disco de estreia. Academia da Berlinda, pouco antes, celebra os dez anos de "Nada Sem Ela" com participação de Louise.

Nelson Motta, que além de curador sobe ao palco com Lou Cascudo no DJ Set Noites Tropicais — nome emprestado do livro em que narrou os anos mais luminosos da música brasileira —, descreve a edição como "um grande encontro de gerações e estilos". E avisa: "também vou brincar de DJ em um set ultra dançante de música brasileira". Os DJ sets pontuam os três dias, com Julia Barros e Melton Sello na sexta, Man from Rio e Mango no sábado, Facchinetti e TropiCals no domingo, costurando os intervalos entre os shows.

SERVIÇO

DOCE MARAVILHA 2026

Jockey Club Brasileiro (Av. Bartolomeu Mitre, 1110, Gávea)

7, 8 e 9/8

Ingressos: 7/8 - R$ 336, R$ 218,40 (solidário) e R$ 168 (meia) | 8 e 9/8 - R$ 441, R$ 286,65 (solidário) e R$ 220,50 (meia) | R$ 515,97 (passaporte)

 

Galeria de imagens

Chico Chico Crédito: Zabenzi/Divulgação