Correio da Manhã
Música

A autoralidade ambiciosa de Giulia Be

Visando o mercado global, cantora e compositora lança álbum de 21 faixas dividido em 3 EPs, cada um gravado num idioma diferente

A autoralidade ambiciosa de Giulia Be
Giulia Be compôs e gravou faixas em português, espanhol e inglês em seu novo álbum Crédito: Divulgação

A cantora Giulia Be completa um ciclo ambicioso de sua carreira com o lançamento de seu álbum homônimo trilíngue — 21 faixas em português, espanhol e inglês, todas compostas por ela. O projeto, bancado pela Sony Music em um contrato global inédito para uma artista brasileira de sua geração, chega como a aposta mais ousada de sua carreira até aqui.

A abertura fica por conta do EP em inglês, com sete faixas inéditas, e do clipe de "911", balada com piano que usa a metáfora de uma chamada de emergência para traduzir os efeitos psicológicos e físicos de uma ruptura amorosa. O registro chega após a passagem de Giulia Be pelo Grammy Museum, em Los Angeles, onde se apresentou pela primeira vez na cidade dentro da série The Drop — programa que já recebeu nomes como Olivia Rodrigo, Sabrina Carpenter e Chance the Rapper. Antes disso, a artista passou com seu showcase por Miami, Cidade do México, Lisboa, São Paulo e Madri.

O disco, conta ela, nasce de um mergulho íntimo. Giulia se vê como poeta e contadora de histórias — alguém que transforma vivências, afetos e lembranças em música. As composições tornam-se um retrato de como a artista enxerga o mundo e sente o amor. Algumas faixas foram compostas há nove anos; outras, nos últimos cinco meses.

"Sinto que cada idioma traz uma versão diferente de mim. Esse álbum foi uma forma de todas essas versões existirem juntas e conversarem entre si", explica.

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Giulia Be compôs e gravou faixas em português, espanhol e inglês em seu novo álbum | Foto: Divulgação

Cada idioma revela uma faceta distinta de sua identidade, relações e amadurecimento pessoal. A obra transita por ritmos latinos, pop disco e baladas intimistas, sempre a partir de composições assinadas pela própria artista. Por trás do som, um time de produtores de alcance global: Fred Ball (Rihanna, Beyoncé, Madonna, Eminem), M-Phazes (vencedor do Grammy, créditos com Eminem e Madonna), Leroy Clampitt (indicado ao Grammy, produções para Sabrina Carpenter, Justin Bieber e Dua Lipa), Caleb Calloway (mais de 22 bilhões de streams, créditos com Bad Bunny e Rauw Alejandro) e Paul Ralphes, referência do pop brasileiro.

O projeto multilíngue sinaliza que a jovem artista quer ocupar um espaço que, até aqui, poucos nomes do país conseguiram preencher no mercado global. O tempo dirá se a aposta dará certo, mas Giulia deu seu recado.