O blues continua vivo. Nesta quarta-feira (22), às 20h, o Blue Note Rio recebe uma das vozes mais pungentes do blues contemporâneo. Claudette King, filha caçula do lendário B.B. King — um gênio, sem exageros — sobe ao palco em noite de tradição e renovação. A apresentação integra a turnê da cantora pelo Brasil, que já passou por cidades como Paraty e São Paulo celebrando o centenário de nascimento do pai, em 2025, e reafirmando o sobrenome que carrega com orgulho e responsabilidade.
Única entre os quinze filhos do rei do blues a seguir carreira musical, Claudette construiu uma trajetória que equilibra herança e identidade própria. Nascida na região da baía de San Francisco, cresceu cantando em corais de igreja batista e nos glee clubs da escola, embebendo-se das vozes que moldariam seu estilo: Aretha Franklin, Chaka Khan, Michael Jackson e Mahalia Jackson.
Mas a inspiração maior, ela não hesita em dizer, sempre foi o pai. "Eu sempre quis cantar e gostava de ver o que meu pai fazia e como os fãs dele estavam em sintonia com isso. Vê-lo fazendo música realmente me inspirou", disse em entrevista à Veja em 2025.
O curioso é que B.B. King não queria que os filhos seguissem seus passos. Queria que Claudette tivesse outra profissão, e por isso ela cursou administração de empresas. Cantou com ele apenas uma vez — a oportunidade veio, ela engravidou e precisou esperar. Mais tarde, voltou a fazer algumas apresentações ao lado do pai, mas nunca o suficiente para sua vontade. "Estou fazendo isso agora. Tenho meu pai espiritualmente comigo", disse.
Hoje, Claudette se apresenta ao lado de músicos como James Bolden, ex-trompetista da banda de B.B., a quem chama de tio. "Fizemos coisas juntos e demonstramos carinho no palco porque ele amava muito meu pai, e eu o amo por amar meu pai", conta.
Com um estilo que ela própria batizou de "blues new wave", Claudette injeta soul, R&B e até toques de hip-hop no blues tradicional. "Tento colocar um pouco de R&B, um pouco de hip-hop, para tocar a geração mais jovem e também agradar às pessoas mais velhas", explicou. Não por acaso, é chamada de "Bluz Queen" e já foi abençoada por Etta James, para quem abriu um show — a lendária cantora deu um joinha e mandou que ela continuasse. Membro da Academia Nacional de Gravação dos Estados Unidos, Claudette lançou o álbum "We're Onto Something" e o country-blues "Whiskey Makes Me Sin", mostrando versatilidade.
"Dar continuidade ao legado do meu pai é um sonho realizado. Ver o amor que as pessoas têm por ele, sentir essa música e expressá-la do meu jeito, mantendo essa conexão espiritual com ele, é uma honra." No repertório da noite, estão clássicos como "The Thrill Is Gone", "Rock Me Baby" e "Guess Who", além de canções autorais que revelam uma artista dona de um estilo que é ao mesmo tempo herança e reinvenção. "O blues ainda está aqui. Mesmo tendo perdido tantos artistas icônicos — especialmente meu pai —, o blues continua vivo em mim e em você. Então, deixe ele fluir."
SERVIÇO
CLAUDETTE KING
Blue Note Rio (Av. Atlântica, 1.910 — Copacabana)
22/7, às 20h
Ingressos a partir de R$ 70
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