Correio da Manhã
Música

Sururu na Roda celebra 25 anos de estrada com o álbum 'Na Linha do Tempo'

Com direção musical do craque Rildo Hora e participação de Mart'nália, o disco chega às plataformas em 24 de julho.

Sururu na Roda celebra 25 anos de estrada com o álbum 'Na Linha do Tempo'
O Sururu da Roda conta sua história com novos arranjos para os sambas que gosta de tocar ao vivo em 'Na Linha do Tempo' Crédito: Rogério Von Kruger/Divulgação

Affonso Nunes

Grupo que ajudou a revitalizar a Lapa e foi eleito melhor do gênero no Prêmio da Música Brasileira, o Sururu na Roda lança álbum comemorativo de 25 anos. Com direção musical do craque Rildo Hora e participação de Mart'nália, o disco chega às plataformas em 24 de julho.

Há 25 anos, uma roda de samba nascida nos jardins da Uni-Rio, na zona sul carioca, começava a fazer barulho. O que começou como encontro de estudantes — Nilze Carvalho (voz, cavaquinho e bandolim) uniu-se a Fabiano Salek e Sílvio Carvalho — logo se transformou em um dos grupos que ajudariam a revitalizar a Lapa, então um bairro em plena ressurgência boêmia. Era 2001, e o Sururu na Roda começava a consolidar uma identidade que soube conciliar uma pesquisa musical refinada com a alma descontraída de uma tipica roda de botequim.

Em 2014, essa trajetória ganhou um selo de qualidade que seu público fiel já reconhecia: o grupo foi eleito Melhor Grupo de Samba no 25º Prêmio da Música Brasileira, ao lado de trabalhos com ícones como Monarco, Baden Powell, Nei Lopes e Gilberto Gil. Agora, em 2026, o Sururu chega ao jubileu de prata com "Na Linha do Tempo", sétimo disco da carreira — e talvez o mais simbólico.

O que pode sugerir uma coletânea é, na verdade, uma biografia musical. Em vez de apenas olhar para trás, "Na Linha do Tempo" apresenta a trajetória do Sururu, como uma caminhada de muito gingado: dos primeiros anos na Lapa ao reconhecimento nacional, das turnês internacionais — que levaram o samba do Sururu a palcos fora do Brasil — à maturidade artística da formação atual, com Ana Costa (voz e violão), Fabiano Salek (voz e percussão) e Sílvio Carvalho (voz e percussão).

O trio manteve a essência, mas a formação se expandiu em estúdio. A ficha técnica do disco reúne músicos de primeira linha: Alexandre Caldi (flauta e saxofone), Flavio Santos (bateria), Guinter Vieira (cavaquinho), Maurício Massunaga (violão e violão de 7 cordas), Ney Conceição (baixo) e Luiz Augusto Guimarães (percussão), entre outros. O time é completado por Rildo Hora — que assina a direção musical — um dos mais premiados arranjadores e produtores do Brasil, com passagens por cinco prêmios Grammy Latino e trabalhos ao lado de Zeca Pagodinho e Beth Carvalho. Rildo aparece em nove das doze faixas, tocando realejo e costurando sonoridades.

O disco abre com "Mutirão de Amor", parceria de ningpem menos que Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Sombrinha. E segue costurando clássicos e memórias: "Conversa de Botequim" (Noel Rosa e Vadico), que já havia sido lançada como single em junho e antecipou o espírito do projeto; "Mascarada" (Elton Medeiros e Zé Keti), com participação especial de Mart'nália; "Ex-Amor" (Martinho da Vila); "Testamento de Partideiro" (Candeia); e "É" (Gonzaguinha). Um dos momentos mais interessantes é o pot-pourri "Sambas de Roda", que costura "O Cavalo de São Jorge" (Paulinho Pinheiro e Roque Ferreira), "Milagre" (Dorival Caymmi) e "Todo Menino É Um Rei" (Zé Luiz do Império Serrano e Nelson Rufino) — canções que, reunidas, mapeiam a geografia do samba brasileiro, do Recôncavo Baiano ao Rio de Janeiro.

A escolha do repertório diz muito sobre o grupo porque escapa da fórmula manjada dos maiores sucessos para revelar canções que contam a história do Sururu a partir do que eles escolheram tocar, gravar e levar para as rodas nesses 25 anos. Não são canções autorais, mas fazem parte do DNA artístico do grupo.

O álbum foi registrado no Estúdio Cia dos Técnicos, no Rioo, com gravação e mixagem de William Luna e masterização de Alexandre Rabaço. A produção é de Alan Rabelo, pela Panda Produções. A identidade visual do projeto traduz o conceito do trabalho: Ana, Fabiano e Sílvio em traje de gala dentro de um boteco. A elegância do jubileu de prata encontra sem abrir mão da informalidade que o Sururu tão bem respresenta.