A cantora e compositora Ana Maria Carvalho sobe ao palco do Espaço Cultural BNDES nesta quinta-feira (17), às 19h, para apresentar "Cantigas do Tempo", um retrato sonoro das tradições populares do Maranhão. A artista carrega em seu trabalho décadas de pesquisa, vivência e transmissão das manifestações culturais que moldaram sua trajetória desde a infância.
"Nasci em Cururupu, Maranhão, numa família de agricultores que também são cantores músicos e brincantes. Nas minhas primeiras memórias estão os ensinamentos de amor e respeito à terra, as pessoas e a arte", explicou entrevista concedida ao podcast InteligênciaPontoCom.
A carreira de Ana Maria é marcada por uma dedicação quase monástica à preservação da cultura popular brasileira. Durante mais de 30 anos, integrou o Teatro Ventoforte em São Paulo — um dos grupos mais importantes de teatro popular do país — e é cofundadora do Grupo Cupuaçu, que em 2026 completa 40 anos de atuação contínua na capital paulista, mantendo viva uma memória que poderia facilmente se dissipar nas grandes cidades.
O repertório que Ana Maria domina é vasto e específico. Bumba-meu-boi, tambor de crioula, cacuriá, ciranda, ladainhas do Espírito Santo e cantigas tradicionais são linguagens corporais, rítmicas e espirituais que ela aprendeu desde criança e que agora transmite através de oficinas, apresentações e projetos colaborativos. Essa expertise a levou a representar o Brasil no Festival Internacional de Teatro de Artes Cênicas de Setúbal (Portugal), em 2019.
Mesmo sendo guardiã de um patrimônio tão rico e vasto, Ana Maria não vê a cultura popular como um acervo estático, pronto e acabado. "Eu costumo falar que a minha religião é a minha cultura porque nessas manifestações a gente dança, a gente reza, a gente toca, a gente se alimenta, a gente celebra o tempo todo", explica. Essa visão holística da tradição se reflete em sua metodologia como educadora: ela trabalha com crianças de 3 a 100 anos, como costuma dizer, porque o brincar não tem limite de idade. "O importante na vida do ser é brincar. O brincar é que nos alimenta, o brincar nos cura, nos fortalece. Então a gente tem sempre que brincar", ensina."Eu tenho que me comunicar, sim, isso também é arte. A gente tá no chão junto com as pessoas, a gente toca nelas, canta com elas, olha no olho, se conecta", descreve sua abordagem em cena.
Aos 72 anos, Ana Maria continua compondo, ensinando e se apresentando com a mesma energia de quem descobriu sua vocação aos 60 anos, quando começou profissionalmente a viver de música. "Tenho 72 anos e faço o que eu quero. A idade não impede a gente de nada. Cantar, dançar... a gente pode tudo", afirma.
SERVIÇO
CANTIGAS DO TEMPO - ANA MARIA CARVALHO
Espaço Cultural BNDES (Av. Chile, 100) | 16/7, às 19h
Ingressos grátis, com retirada de ingressos com 30 minutos de antedência
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