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Nos bastidores da canção

Diretor artístico Jorge Davidson reúne histórias de sua carreira no livro de memórias 'Em Sintonia com o Sucesso'

Nos bastidores da canção

Affonso Nunes

Durante três décadas, Jorge Davidson esteve em postos de decisão de algumas das principais gravadoras do país. Passou pela EMI, Sony Music e BMG, ocupou diretorias artísticas e acompanhou artistas que influenciaram a música brasileira a partir dos anos 1980. Essa experiência chega agora ao livro "Em Sintonia com o Sucesso — A arte de revelar talentos na música brasileira", da Gryphus Editora, que será lançado nesta terça-feira (20), na Livraria Argumento, no Leblon.

O livro se propõe a olhar para um trabalho quase sempre invisível no território da canção popular: a mediação entre artistas, gravadoras, rádio, imprensa e público. Davidson começou como gerente de produto na EMI e ali se tornou diretor artístico; exerceu a mesma função na Sony e foi vice-presidente artístico na BMG e na EMI. Em sua trajetória, cruzou com carreiras como as de Blitz, Os Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Marisa Monte, Fernanda Abreu, Gabriel O Pensador, Skank, Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp, Jota Quest e Ana Carolina.

Faz parte do trabalho de um diretor artístico reconhecer uma voz em formação, ajudá-la a encontrar repertório e linguagem e, sobretudo, entender quando uma aposta requer tempo antes de ser medida pela regra das vendas ou execução pública. Davidson percorre também a passagem de um mercado simbolizado pelo álbum físico para a realidade das plataformas digitais.

Nascido em Salvador e criado no Rio, ele recupera na obra a relação com o futebol de praia em Copacabana, a passagem pela redação da TV Globo e o convívio com ídolos que conheceu antes como ouvinte.

O livro usa essas lembranças para organizar um percurso profissional que vai da chegada à EMI às diretorias das grandes gravadoras, sem separar a história da indústria das canções e dos artistas que ela colocou em circulação.