na estante

NA ESTANTE: em meio a apagamentos

NA ESTANTE: em meio a apagamentos
Coluna livros 4/9/2026 Crédito: Divulgação

A cineasta e artista plástica paraense Jéssica Paola lança este domingo (6), durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, "Meu Nome é um Lugar Longe" (Hecatombe, R$ 40). Os contos tratam de mulheres que enfrentam monstruosidades em histórias entrelaçadas de apagamentos e reconstruções do eu, investigando identidade, pertencimento, afeto, deslocamentos e alteridade. Radicada no Rio de Janeiro, a autora fundamenta sua obra na oralidade amazônica e nas vivências da selva urbana carioca, além de sua própria experiência de deslocamento pelo país, entremeada às narrativas do pai, que vive no Maranhão, e da mãe, cearense.

 

PRECONCEITO E VIOLÊNCIA

PRECONCEITO E VIOLÊNCIA
Coluna livros 4/9/2026 Crédito: Divulgação

Preconceito e violência caminham lado a lado em "Quando" (Record, R$ 69,90), da mineira Carla Madeira, a atualmente mais lida escritora brasileira. Ambientado na década de 1980, o romance traz uma família que se mantém próxima apesar do sofrimento pela incompreensão: a mãe, muito doente, aguarda a visita do filho que denunciou à polícia por violência homofóbica. Depois de cumprir pena, o filho jamais retornou ao convívio familiar, e a mãe passa vinte anos esperando revê-lo, cuidada pelas duas filhas, uma delas homossexual. Desde 2023, a escritora se transformou no maior sucesso de ficção em literatura brasileira, tendo vendido mais de 1,4 milhão de cópias de seus três romances anteriores.

SILENCIADAS PELO MEDO

SILENCIADAS PELO MEDO
Coluna livros 4/9/2026 Crédito: Divulgação

Traduzido em mais de quinze países, "Noite no coração" (Bazar do Tempo, R$ 80) recebeu, entre outros, os prêmios Femina e Goncourt des Lycéens, na França. Nascida nas Ilhas Maurício, Nathacha Appanah conta os antecedentes de dois feminicídios e seu próprio histórico de vítima de violência, que conseguiu escapar da morte pedindo a proteção da família. Nos três casos, os agressores eram companheiros das mulheres. Além de relatar os processos judiciais dos dois assassinos, Natacha discute as pressões que levam mulheres a se recolherem em silêncio, mantendo segredo sobre os maus tratos sofridos, tanto por constrangimento quanto por temor de que a violência seja dirigida a outras pessoas próximas a elas.