Um ano e um mês depois da morte de Silvio Tendler (1950-2025), seu legado volta ao cinema, agora na 50ª Mostra de São Paulo, nesta quarta e nesta quinta, agora pelas imagens que ele nos deixou como herança. "Pontos de Partida", último projeto do realizador consagrado como o "papa do documentário histórico brasileiro", integra a maratona paulista, com projeção esta noite, às 21h10, no CineSesc. No dia 29, a projeção será às 17h40, no Cinesystem Frei Caneca 5.
Funciona como um adeus particularmente coerente para um cineasta que transformou memória, cidadania e indignação política em matéria audiovisual. Tendler deixou o longa inconcluso ao morrer, em 5 de setembro de 2025. Coube ao produtor Cláudio Kahns finalizar esse experimento geopolítico, já apresentado no Festival do Rio, onde, há dois anos, ele apresentou "Brizola - Anotações para uma História" (2024). "É feia a miséria e o destrato a que submetem nossa população", lamentava o documentarista.
Com 101 minutos, "Pontos de Partida" recupera uma iniciativa nascida em 2004, quando a política cultural brasileira deu origem ao Cultura Viva e à rede de Pontos de Cultura, que alcançaria cerca de 3,5 mil núcleos espalhados pelo país. O olhar se concentra sobretudo nas periferias de São Paulo e na tentativa de descentralizar o acesso à produção cultural, levando protagonismo a manifestações distantes das instituições tradicionais.
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