Rodado em Hollywood, com parcerias históricas com Baz Luhrmann e com Brian De Palma (que lhe deu a célebre frase "Remember me? I'm Benny Blanco from the Bronx" em "O Pagamento Final"), John Leguizamo já demonstrou coragem numerosas vezes em uma indústria que rotula e formata latino-americanos, a serviço do que seus enlatados necessitam. Aos 66 anos, esse colombiano de Bogotá, em fricção nos EUA desde a década de 1980, já chiou contra a xenofobia por trás de termos racistas como a palavra chicano. Peitou até o ferrabrás Steven Seagal, com quem filmou "Momento Crítico" (1996), debochando do (suposto) mestre do aikidô, ao retaliar suas grosserias com colegas. É nesse status de coragem (re)conhecida que o astro passa pelo Brasil, nesta segunda, para receber o prêmio honorário Leon Cakoff da 50ª Mostra de São Paulo, num momento de virada profissional. Seu nome dispara nas listas de especulações para o Oscar de 2027, na categoria Melhor Coadjuvante, como o cego Eumaeus, de "A Odisseia", cuja bilheteria, à luz da excelência do realizador inglês Christopher Nolan, já ultrapassou a marca de US$ 1,7 bilhão na venda de ingressos.
Sua homenagem na Mostra, esta noite, acontece às 20h, no Solar Sala Petrobras, onde ganhará o Leon Cakoff das mãos da diretora do evento, Renata de Almeida. Na ocasião, em meio à honraria, ele ministra uma masterclass sobre sua forma de atuar e sobre sua travessia profissional.
No fenômeno de Nolan, Eumaeus é o principal conselheiro (e amigo) de Odisseu (Matt Damon), cuidando de seu filho (Tom Holland) e protegendo seu cão. Sabe que seu mestre é o maior arqueiro do mundo grego, na Antiguidade onde o poema de Homero se desenrola. Antes, no musical "Moulin Rouge" (2001), Leguizamo, também viveu uma figura lendária: o artista plástico Toulouse-Lautrec.
Em 1997, seu nome já havia sido associado a apostas acerca das estatuetas hollywoodianas por seu desempenho como o vilão Violador, das HQs do "Spawn". Como o longa baseado nesse anti-herói de Todd McFarlane não virou uma febre, sua excepcional composição para um demônio com feições de palhaço não rendeu dividendos à altura de seu trabalho.
Em 2002, já badalado em experiências teatrais, ele trabalhou num projeto icônico para as comunidades hispânicas dos Estados Unidos: "Império" ("Empire"), de Franc. Reyes, com Sonia Braga no elenco. Era uma espécie de "O Poderoso Chefão" latino, sobre o tráfico de drogas nos EUA. Na mesma época, ele se aliou ao carioca de Marechal Hermes Carlos Saldanha na saga de animação "A Era do Gelo", como a voz da preguiça Sid, dublado aqui por Tadeu Aguiar.
Em 2027, Leguizamo será visto ao lado de Scarlett Johansson no novo longa da franquia "O Exorcista", chamada "Mártires". Tem um "A Era do Gelo" inédito pela estrada também, que vai se chamar "Mundo de Lava". Fora isso, ele trabalha ainda na versão para as telonas da série pop dos anos 1980 "Miami Vice". Ele trabalhou no seriado, em 1986 e em 19889, com dois papéis diferentes. Saiu dela para rodar "Pecados de Guerra" (1989), de Brian De Palma, com Sean Penn e Michael J. Fox.
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