28° Festival do Rio

Inventário de batalhas

Estação Claro Gávea acolhe longa de Bigode sobre o atleta que virou usina viva de filmes

Inventário de batalhas
Cena de 'O Cinema Possível', sobre os feitos do ex-judoca, cineasta e produtor Cavi Borges Crédito: Divulgação

Ao procurar o filme ideal para sintetizar o espírito de resiliência de um Festival do Rio que trombou com uma eleição de resultados (ainda que parciais) temerários, o Correio da Manhã não teve dúvidas: o escolhido só poderia ser "O Cinema Possível". Os motivos são muitos, mas, como a gente viu o longa-metragem, de véspera, rola dizer que sua excelência é o fator n° 1. Conta ainda - e muito - o assunto: Carlos Vinícius Borges, bamba do judô que virou dono de videolocadora e transformou seu empório de VHS e DVD na sede de uma prolífica produtora, passando a dirigir incansavelmente.

Hoje ele ainda anima as projeções no Grupo Estação, qual o zé-pereira audiovisual. Conta também a grife da direção: Luiz Carlos Lacerda, o Bigode. Cada vez mais inquieto na raia documental, o poeta e diretor que assinou delícias como "For All - O Trampolim da Vitória" (1997) debruçou-se sobre imagens raras de Cavi, numa trança lírica de memórias e sonhos. O Correio pediu uma declaração ao realizador sobre o longa. O danado respondeu com um poema... inédito... feito para o jornal... para vocês... pro 28° Festival do Rio, que se despede da cidade neste domingo, com sua premiação no Odeon.

Os versos de Bigode sobre Cavi:

Em seu andar de pantera

Há um menino que vive

de calças curtas, presente

a caminhar sobre estrelas

(sendo uma delas Patricia,

dessa mesma natureza,

num pas-de- deux de Cinema ).

Seja em Cannes ou na favela,

menino de calças curtas

doce lutador, onde o queiram

Sua presença de fera

fera rompendo grades

que impossibilitem o que seja:

pra ele não há limites

faz da impossível espera

o Cinema do possível

Aprendeu com Mestre Nelson.

Em seu sorriso brejeiro,

o que o motiva, quem sabe?

É o Cinema brasileiro!