Longa de abertura do Festival do Rio, no próximo dia 1º de outubro, no Cine Odeon, "A Bola Preta" ("La Bola Negra") chega ao Brasil embalado por uma trajetória de consagrações que passa pelo prêmio de Melhor Direção - para Javier Calvo e Javier Ambrossi - em Cannes e pelo People's Choice Award, conquistado há duas semanas no último domingo no Festival de Toronto.
Escolhido pela Espanha para representá-la na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, o inquieto longa-metragem é inspirado no universo poético e teatral de Federico García Lorca (1898-1936) e mobiliza San Sebastián nesta semana, por meio do legado dele, com sua presença espalhada por diferentes pontos da cidade basca, antes da estreia no circuito espanhol, marcada para sexta-feira.
Por trás da exuberância visual e melodramática dos Javis (apelido de seus dois realizadores), há uma montagem avessa à causalidades, sempre caudalosa, assinada por Alberto Gutiérrez, responsável por costurar diferentes tempos históricos e transformar mais de duas horas e meia de projeção num fluxo de desejos, repressões e memórias. Penélope Cruz é um dos grandes trunfos do conjunto, numa atuação de enorme temperatura emocional, enquanto Glenn Close precisa de poucos minutos para deixar uma presença indelével. Uma é a estrela de um cabaré que delicia combatentes com um estilo Anjo Azul, à moda Marlene Dietrich. Close vive uma pesquisadora literária.
Barroco, sentimental e assumidamente excessivo, "A Bola Preta" encontra justamente na edição nevrálgica o equilíbrio necessário para fazer de sua ambição estética uma experiência de cinema popular, político e pulsante.
Menu