Enquanto fãs brasileiros do inglês Christopher Nolan se jogam nas salas de cinema para prestigiar “A Odisseia”, recém-chegado ao Top Ten das maiores bilheterias de 2026, entusiastas do diretor no país vão finalizar esta noite nas sombras da Gotham City idealizada por ele em “Batman Begings”. A TV Globo vai celebrar a “maioridade” (21 anos) dessa produção de US$ 150 milhões, que faturou US$ 375 milhões, ao fazer dela sua atração deste “Domingo Maior”, às raias das 23h30, com Ettore Zuim dublando o galês Christian Bale. A trama acompanha a conversão do milionário Bruce Wayne (Bale) no cruzado mascarado inspirado por quirópteros. Em sua gênese como vigilante, ele vai encarar o psicólogo degenerado Espantalho (Cillian Murphy) e o terrorista Ra’s Al Ghul (Ken Watanabe). Liam Neeson entra em cena no papel de Henri Ducard, seu mentor, e Michael Caine vive Alfred, o paternal mordomo do clã Wayne.
Dois elementos guiam a dramaturgia cinematográfica de Nolan: culpa e necessidade de controle. Há uma mistura covalente de ambos no combustível afetivo que alimenta os motores de “Batman Begins”, que ganhou duas continuações, em 2008 e 2012. Na bifurcação de elementos essenciais à grafia do realizador, o primeiro a se apresentar como argamassa onipresente em sua obra foi a culpa. Tal onipresença, somada a um enorme talento para esculpir mágoas e ressentimentos, tem feito dele um realizador autoral. De “Amnésia” (2000) ao onírico “A Origem” (2010), passando pelo subestimado “Insônia” (2002) e por toda a trilogia de Gotham, é caro a ele transitar por um limite de dívida moral. Há em seus personagens a sequela de um erro que os impele a ações eticamente duvidosas. É o que se vê em sua obra-prima, “Oppenheimer”, coroada com sete Oscars em 2024, incluindo o de Melhor Direção. Do lado esquerdo do ringue de sua invenção, aparece a necessidade atávica do controle em seus heróis, os mascarados e os de cara limpa.
Do investigador tatuado e amnésico vivido por Guy Pearce há 26 anos ao Homem-Morcego com a fleuma galesa de Bale, os personagens centrais da obra de Nolan são movidos por uma onipotência que fazem deles os senhores da certeza. Todos acreditam ter pleno domínio da engenhoca chamada mundo no microcosmos onde vivem, inclusive o Odisseu de Matt Damon.
Neste momento, nos quadrinhos, a saga “Absolute Batman” é o best-seller do momento, coroado no fim de semana com o Eisner Award (O Oscar das HQs). Esse arco de revistas sai aqui no Brasil pela Panini Comics.
Menu