Rodrigo Fonseca
Especial para o Correio da Manhã
Representada pela roteirista (de DNA brasileiro) Ana Nogueira, a atriz Milly Alock, o diretor Craig Gillespie e o produtor Peter Safran, a esquadra de representantes de "Supergirl", que estreia no próximo dia 23, passou pelo Rio de Janeiro na segunda-feira buscando holofotes cariocas para um novo (quiçá definitivo) capítulo da relação entre a DC Comics e o cinema. A heroína vivida pela estrela de "A Casa do Dragão" (série na qual encarnou Rhaenyra Targaryen) tem agora a tarefa de fazer da Superfamília uma mina de ouro, alavancando o projeto criado pelo cineasta e produtor James Gunn. Em 2025, ele repaginou Kal-El e seu alter ego, Clark Kent, vivido por David Corenswet numa superprodução de US$ 225 milhões que arrecadou menos do que o esperado (US$ 618,7 milhões).
Uma parte dois, chamada "Man of Tomorrow", já está em andamento, com o (genial) ator Lars Eidinger no papel do vilão, Brainiac. Antes, Corenswet será visto ao lado de Milly na aventura solo da Supergirl (afinal, Kal-El é primo dela), na qual a vigilante deve salvar seu cão, Krypto, mortalmente ferido pelo pirata galático Krem (Matthias Schoenaerts), em meio a uma parceria com o caçador de recompensas Lobo (Jason Momoa).
"É difícil para ela viver num planeta sem poderes, mas escolher salvar um mundo é bonito", diz a atriz em sua visita ao Rio, num evento num coworking do Bossa Nova Mall, perto do Santos Dumont, onde Ana Nogueira arriscou palavras em português.
"É um sonho realizado", disse a roteirista.
Faltou ao evento um tanto de carinho com as raízes quadrinísticas da Supergirl, em especial na menção ao álbum gráfico "A Mulher do Amanhã", lançado aqui pela Panini. Graças à arte exuberante da desenhista Bilquis Evely, esta minissérie compilada num só volume fez sucesso de venda nos EUA e concorreu ao Prêmio Eisner, o Oscar das HQs. Sua protagonista, Kara Zor-El, passou por muitas aventuras épicas ao longo dos anos, mas hoje acredita estar sem propósito. Para onde vá, as pessoas só a veem como prima do Superman. Até que tudo muda, quando uma garota alienígena a procura para uma missão de vingança contra os vilões que exterminaram seu planeta. Agora, uma kryptoniana, um cachorro e uma criança com o coração partido partem para o espaço em uma jornada que mudará suas vidas para sempre. O roteiro é do aclamado Tom King.
Criada pelo roteirista Otto Binder (1911-1974) e pelo desenhista Al Plastino (1921-2013), Supergirl surgiu oficialmente em maio de 1959, nas páginas da revistinha "Action Comics" nº 252, publicada pela DC Comics. A personagem nasceu durante a chamada Era de Prata dos quadrinhos, período em que as editoras ampliavam seus elencos de heróis para atender a um público cada vez mais diversificado. Kara Zor-El chega ao nosso planeta como ressaca tardia da destruição de Krypton. Segundo a cronologia clássica, Kara escapou da cidade kryptoniana de Argo City e foi enviada à Terra para reencontrar o primo, tornando-se uma das figuras mais populares da chamada Família Superman.
Ao longo das décadas, a personagem passou por diversas reformulações editoriais, incluindo encarnações como Matrix, Linda Danvers e Cir-El, reflexo das constantes reorganizações de continuidade promovidas pela DC. Ainda assim, Kara permaneceu como a versão mais conhecida e influente da heroína. Entre suas HQs mais importantes estão as histórias de apoio em "Action Comics" durante os anos 1960; a revista solo "Supergirl", publicada entre 1972 e 1974; sua participação decisiva em "Crise nas Infinitas Terras", de 1985, considerada uma das mortes mais emblemáticas dos quadrinhos; a série "Supergirl" escrita por Peter David entre 1996 e 2003; "Superman/Batman: The Supergirl from Krypton", que reintroduziu Kara à cronologia moderna em 2004; e a já citada minissérie "Supergirl: Woman of Tomorrow", de Tom King e Bilquis Evely, recém-relançada no Brasil em formato de bolso.
A trajetória da heroína extrapolou os quadrinhos. No cinema, ganhou seu primeiro longa-metragem em "Supergirl" (1984), estrelado por Helen Slater. Décadas depois, alcançou nova geração de fãs na série televisiva "Supergirl" (2015-2021), protagonizada por Melissa Benoist, uma das produções mais bem-sucedidas do chamado Arrowverse. A personagem também apareceu em "The Flash" (2023), interpretada por Sasha Calle, antes da reformulação do universo cinematográfico da DC.
Além de "Supergirl", a Warner vai explorar as pérolas editoriais da empresa que publica o Homem de Aço com "Clayface", sobre o vilão Cara de Barro, previsto para outubro de 2026; com a série "Lanterns", centrada nos Lanternas Verdes, feita para a HBO Max; e com "The Batman: Part II", de Matt Reeves, agendado para outubro de 2027.
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