Correio da Manhã
Artes Visuais

Arte e tecnologia rimam com ancestralidade

Entre algoritmos e memória, exposição de Eduardo Salvino questiona representação de pessoas negras

Arte e tecnologia rimam com ancestralidade
A instalação interativa que combina arte, tecnologia e memória afrodiaspórica Crédito: Fotos/André Fraga/Divulgação

A Baixada Fluminense recebe nesta sexta e sábado (17 e 18) duas atividades que exploram as conexões entre Brasil e diáspora africana. Um bate-papo sobre audiovisual expandido, arte e tecnologia, seguido de uma oficina de criação de jogo de tabuleiro, integram a programação da exposição "Salvíficos Movimento #2 - Fábula", do artista multimídia Eduardo Salvino, em cartaz no Sesc Duque de Caxias.

A conversa acontece na sexta, das 14h30 às 16h30, e reúne Marcão Baixada, criador da trilha sonora da exposição; Macedo Griot, contador de histórias; e os interlocutores críticos Larissa Macêdo e João Simões. O debate aborda questões de algoritmos racistas e suas implicações na representação de pessoas negras — tema central da instalação interativa concebida por Salvino. As inscrições são online e o evento é indicado para todas as idades.

Macaque in the trees
Eduardo Salvino é o artista responsável pela exposição e oficina | Foto: André Fraga/Divulgação

No sábado, das 11h às 13h, Eduardo Salvino ministra a oficina "O que é? Adinkras", direcionada a adolescentes acima de 12 anos (crianças a partir de 7 anos acompanhadas de responsáveis). Com 20 vagas, a atividade apresenta os símbolos Adinkras — ideogramas originários da África Ocidental — e sua importância para a cultura da diáspora africana. Cada participante confecciona dois tabuleiros contendo imagens e informações dos Adinkras, além de 18 cards para fixação e nove cartas soltas com interrogação no verso para adivinhação. Com auxílio de pirógrafo, os participantes também criam estojos para guardar os componentes do jogo, que levam consigo ao final da oficina.A exposição "Salvíficos Movimento #2 - Fábula" é uma instalação interativa que combina arte, tecnologia e memória afrodiaspórica. Por meio de um QR Code integrado à obra, o público acessa, pelo celular, um jogo online que utiliza inteligência artificial para propor reflexões sobre identidade, ancestralidade e os impactos dos algoritmos racistas.

Macaque in the trees
Detalhe do jogo Adrinkas que desvenda ideogramas originários da África Ocidental | Foto: André Fraga/Divulgação

"A imagem capturada não se refere apenas à uma fotografia analógica, mas à parâmetros informacionais, tornada código, via inteligência artificial. Daí a importância de disponibilizar a interação com esta obra, e problematizar a insistente opressão étnica, discriminações e preconceitos, o que cria possibilidades de contrapontos à narrativa única, e, outros possíveis padrões imagéticos", destaca o artista multimídia.

A experiência se desdobra em uma narrativa audiovisual na qual cada participante percorre diferentes "reinos" inspirados em territórios históricos africanos — Angola, Congo, Malungo e Moçambique. Mineiro de Belo Horizonte radicado em São Paulo, Eduardo Salvino é doutor em Poéticas Visuais pela USP (2024) e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. A exposição atual é fruto de sua tese de doutorado intitulada "Territórios em suspensão: contexto e mediação em intervenções contracoloniais", defendida na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP). Trata-se de uma sequência da "Salvíficos Movimento #1 - Ensaio Mnemônico", apresentada em 2022 também no Sesc Duque de Caxias, onde o público interagia com um jogo de arcade. A versão atual traz a imersão como ponto de partida, expandindo a temática para além do ambiente acadêmico.

A circulação do projeto é a resposta para jogos que reproduzem conteúdos racistas e criminosos. Por isso, a exposição propõe reflexões críticas sobre como a arte é produzida, divulgada e recebida pela sociedade. O trabalho de Salvino já circulou por Rio de Janeiro, Brasília e Goiás, tendo recebido o prêmio do Projeto Pulsar do Sesc em 2022 e 2026, além do prêmio Funarte de Arte Contemporânea (2014) e do 6º Salão Nacional de Arte de Goiás.

SERVIÇO

SALVÍFICOS MOVIMENTO #2 - FÁBULA

Sesc Duque de Caxias (Rua General Argolo, nº 47 - Jardim 25 de Agosto)

Até 23/8, de terça a sábado (9h às 16h)

Grátis

17/8, das 14h30 às 16h30: Bate-papo com os envolvidos na exposição.

18/7, das 11h às 13h: Oficina "O que é? Adinkras", com Eduardo Salvino

Inscirções: https://sl1nk.com/klurrei